S&P 500 registra pior primeiro semestre desde 1970, Nasdaq cai quase 30% no semestre

O índice Nasdaq, que reúne empresas não financeiras e as de tecnologia, caiu mais de 20% nos últimos três meses, seu pior desempenho desde 2008

Índices acionários de Nova York, china e ações nos EUA
(Foto: Richard Drew/AP)

As ações caíram na quinta-feira, com o S&P 500 encerrando seu pior primeiro semestre em mais de 50 anos. Os analistas atribuem a derrocada às preocupações com o aumento da inflação e aumentos das taxas do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), bem como a guerra em curso da Rússia contra a Ucrânia e os bloqueios Covid-19 na China.

Os três principais índices acionários de Wall Street terminaram a sessão com queda consistente, em um dia em que o investidor se manteve distante de ativos de risco. A sessão finalizou não apenas o mês de junho, mas o primeiro semestre do ano, que foi marcado por uma forte desvalorização das referências em meio a um aperto monetário bastante agressivo do Federal Reserve (Fed), com alta de 1,5 ponto percentual nas taxas dos Fed Funds, além do BC americano ter iniciado seu enxugamento de seu balanço patrimonial (o chamado “Quantitative Tightening”). Hoje a preocupação com uma recessão voltou a rondar o imaginário do investidor, alimentando o mau humor.

No fim das negociações, o índice Dow Jones terminou em queda de 0,82%, a 30.775,43 pontos, enquanto o S&P 500 perdeu 0,88%, a 3.785,38 pontos, e o Nasdaq recuou 1,33%, a 11.028,74 pontos. Durante a sessão, os indicadores chegaram a cair com mais força, mas diante de um reajuste dos rendimentos dos títulos do Tesouro, que passaram a recuar, as bolsas receberam um alívio e reduziram suas perdas.

A preocupação com uma recessão já vinha crescendo com a confiança do consumidor abalada, e hoje os dados sobre os gastos com consumo aumentaram o temor. Segundo os dados divulgados pelo Departamento do Comércio dos Estados Unidos, os gastos reais do consumidor caíram -0,4% em maio, na relação com o mês anterior, em vez de -0,3%, conforme previsto pelo consenso, enquanto a leitura de abril foi revisada para um nível menor, de crescimento de 0,7% para 0,3%. “Após as grandes revisões para baixo nos dados de gastos do consumidor do primeiro trimestre, [publicadas] ontem, está claro que o setor de consumo não é tão resiliente quanto esperávamos”, disse James Knightley, economista do banco holandês ING.

Se o consumidor começa a dar sinais de insegurança (por meio dos índices de confiança medidos pela Universidade de Michigan e pelo Conference Board) e isso também é ilustrado nos gastos reais, o desenho da perda de força da economia começa a ganhar contornos. “Há uma ameaça muito clara de que a perspectiva de recessão seja um cenário para o final de 2022, e não no início de 2023”, afirmou Knightley.

Não bastasse isso, hoje pela tarde, a ferramenta de projeção do Produto Interno Bruto (PIB) para o segundo trimestre nos EUA, do Fed de Atlanta, mostrou que a estimativa agora é que a economia recue 1%. Se o número se consolidar conforme o prognóstico, a economia americana entra em recessão técnica.

No acumulado do ano, as três principais referências de Wall Street foram penalizadas, com retração de 15,31% (Dow Jones), 20,58% (S&P500) e 29,51% (Nasdaq). Com a queda superior a 20% do S&P 500, o índice registrou seu pior primeiro semestre desde 1970, segundo a Dow Jones Market Data.

Entre os índices setoriais, apenas um registra alta no acumulado dos últimos seis meses, que é o de energia, com ganhos de 29,21%. O setor se beneficiou do avanço dos preços do petróleo devido principalmente à guerra na Ucrânia. Em 2022, o contrato Brent subiu 52,5%, enquanto o WTI avançou 46,7%.

Em meio a esse cenário de valorização do petróleo, as ações da Exxon Mobil subiram aproximadamente 39,96% no período, enquanto as da Chevron avançaram 23,37%. Na sessão desta quinta-feira, no entanto, o petróleo terminou em queda superior a 1%, em meio à realização de lucros e temor por uma recessão.

O segmento de consumo discricionário foi o que apresentou o pior desempenho, com queda aproximada de 34,2%.

Na sessão de hoje, dólar no exterior chegou a se beneficiar no início da sessão, mas depois reverteu ganhos, o que também ocorreu com o ouro. Já os yields dos títulos do Tesouro despencaram. O rendimento da T-note de dez anos operava, perto das 17h40, a 3,015%, de 3,096%.

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