Prévia da inflação de maio deve elevar projeções para a Selic, avaliam economistas

Analistas do mercado consideram que ciclo de aperto monetário pode se estender mais um pouco

Ilustração representa inflação
– Ilustração: Marcelo Andreguetti/IF

Para a economista da gestora Neo Investimentos Laura Moraes, a abertura dos dados do IPCA-15, divulgado nesta terça-feira pelo IBGE, é “muito ruim” e deve provocar revisões generalizadas no mercado para inflação tanto no fechamento de maio quanto no fim de 2022. As projeções para a Selic também devem mudar.

“A abertura é muito ruim. Não tem uma categoria única que tenha feito o índice vir acima do esperado. Veio com uma difusão muito grande, de 74,93%. Não é a difusão mais alta da série, mas é uma difusão bem alta e focada em itens de preços livres e núcleo, o que preocupa bastante”, comentou Laura ao Valor. “Para o fechamento do mês, provavelmente vai todo mundo acabar revisando para cima depois desse IPCA-15”, acrescentou.

“Estamos com 8,4% de projeção para o IPCA no fim do ano. Mas provavelmente devemos ter algo acima considerando esse IPCA-15 de agora”, disse a economista.

Em relação à taxa de juros, ela projetava 13,25% no fim do ciclo de alta, mas acredita que o Banco Central terá que resolver um dilema que pode levar a Selic a um patamar ainda mais alto. “O BC nesse dilema de reconhecer que já fez muito ao mesmo tempo que reconhece que a inflação está muito insistentemente alta. Vai ter que acabar decidindo entre ficar mais tempo para esperar o efeito da política monetária chegar na atividade e na inflação ou concluir que o cenário é outro e que a desaceleração esperada não está vindo”.

IPCA-15 pode mudar plano de voo do BC

Na visão da sócia e economista da Armor Capital, Andrea Damico, os dados apresentados na prévia da inflação mensal são bastante preocupantes e pressionam ainda mais o Banco Central.

“Esse IPCA-15 tem potencial para alterar o plano de voo do Banco Central porque a abertura é extremamente ruim quando olhamos para os núcleos, serviços e bens industriais”, disse. “Não tem um grande vilão. São vários vilões. Foi uma surpresa bastante espalhada. E o pior foi uma surpresa concentrada em núcleo de inflação. Não foi concentrada em bens administrados e nem na alimentação.”

A economista adianta que a equipe da Armor Capital já está revisando as projeções de inflação e Selic após o dado revelado hoje pelo IBGE. “Ainda estamos mexendo nos números. Calibrando cenário de inflação. Calibrando também cenário de Selic. A gente tinha 13,75% [para a Selic]. Provavelmente a gente deve ir para 14,25% ou 14,75% [no fim do ciclo de alta]”, declarou, ressaltando que esperava alta de 50 pontos-base na taxa de juros na reunião do Copom em junho, mas que agora tende a esperar alta de 75 pontos-base.

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