Presidente do BC explica, em carta aberta, porque inflação fechou o ano em 10,06%

Índice de inflação oficial, IPCA, fechou 2021 em 10,06%; teto da meta era de 5,25%

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central do Brasil (Foto: Raphael Ribeiro/BCB)

Pontos-chave

  • Índice de inflação oficial, IPCA, fechou 2021 em 10,06%; teto da meta era de 5,25%
  • A carta mais recente tinha sido escrita pelo seu antecessor Ilan Goldfajn, em janeiro de 2018, referente à inflação de 2017, que ficou abaixo do piso do sistema de metas

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, publicou nesta terça-feira (11) carta aberta encaminhada ao ministro da Economia e presidente do Conselho Monetário Nacional, Paulo Guedes, na qual explica os fatores que levaram a inflação a terminar o ano de 2021 em 10,06% – bem acima do teto da meta, quer era de 5,25%.

Segundo Campos Neto, os principais fatores que levaram ao estouro da meta foram:

  • forte elevação dos preços de bens, em especial os preços de commodities;
  • bandeira de energia elétrica escassez hídrica, acionada em setembro devido à crise energética; e
  • desequilíbrios entre demanda e oferta de insumos, o que gerou gargalos nas cadeias produtivas globais.

O BC tem que perseguir uma meta para o resultado anual da inflação que é definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O principal instrumento utilizado é a taxa básica de juros, a Selic. Normalmente, o BC sobe os juros para conter o aumento de preços.

Para 2021, a meta central de inflação definida pelo CMN era de 3,75%. Pelo sistema vigente no país, seria considerada cumprida se ficasse 1,5 ponto percentual acima ou abaixo, ou seja, entre 2,25% e 5,25%.

Porém, a inflação oficial do país – medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – fechou 2021 em 10,06%, bem acima do teto da meta, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça.

Quando a inflação termina acima ou abaixo do intervalo de referência, o presidente do Banco Central é obrigado a encaminhar carta aberta ao presidente do CMN com os motivos e o que pretende fazer para levar a inflação para a meta.

A carta de Campos Neto é a sexta escrita por um presidente do Banco Central brasileiro. A carta mais recente tinha sido escrita pelo seu antecessor Ilan Goldfajn, em janeiro de 2018, referente à inflação de 2017, que ficou abaixo do piso do sistema de metas.

Índice de inflação oficial, IPCA, fechou 2021 em 10,06%; teto da meta era de 5,25%. Carta divulgada nesta terça é a sexta escrita por um presidente do BC para explicar inflação fora da meta.

Com informações do g1 e Valor Pro, serviço de informações em tempo real do Valor Econômico.


Você também pode gostar
Redação IF Publicado em 25.maio.2022 às 10h10
Ibovespa tem tendência de queda com inflação e Petrobras se mantendo no radar

Investidores aguardam a divulgação da ata da última reunião do Fed

Entrevista da Semana Publicado em 25.maio.2022 às 10h08 Duração 6 min.
Como funciona a Bolsa de Valores de Nova York (NYSE)?

Anne Dias, editora da IF, entrevista Alex Ibrahim, head de mercados internacionais da NYSE, onde trabalha há mais de 20 anos

Redação IF Publicado em 25.maio.2022 às 09h49
Guedes diz ser possível reajuste de 5% para servidores: ‘Mas esqueçam inflação anterior’

A proposta do governo de aumento do funcionalismo público tem sofrido resistências de diversas categorias

Redação IF Publicado em 25.maio.2022 às 08h55
Inflação: pequenas mudanças driblam a disparada dos preços

Com regras simples, você vai tomar as melhores decisões para o seu bolso

Redação IF Publicado em 25.maio.2022 às 08h34
Bolsas europeias e futuros de NY têm alta moderada, antes da ata do Fed

À espera do documento, no pré-mercado em NY, o futuro do S&P 500 tinha leve alta de 0,06% e do Nasdaq avançava 0,18%

Redação IF Atualizado em 25.maio.2022 às 08h46