Itaú projeta pico de 10,8% para IPCA em novembro e inflação acumulada em 2021 acima de 10%

Será a primeira vez desde 2015 que o país fechará o ano com uma inflação em dois dígitos

Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo

Pontos-chave

  • Índice em 12 meses deve alcançar 10,8% em novembro
  • Preço dos combustíveis seguirá como o maior vilão

Depois de vir acima das expectativas do mercado em outubro, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor) deve manter a tendência de alta e aumentar a taxa acumulada em 12 meses. Segundo Júlia Passabom, economista do Itaú Unibanco, o índice que mede a inflação oficial do país caminha para fechar o ano pela primeira vez em dois dígitos desde 2015 – quando ficou em 10,67%.

“A próxima leitura vai continuar pressionada devido aos ajustes em combustíveis anunciados pela Petrobras no final do mês de outubro”, diz a economista. “Com isso, as nossas projeções para o acumulado em 12 meses indicam que o IPCA atinge o pico de 10,8% em novembro e fecha 2021 em 10,1% [com o índice de dezembro deste ano abaixo do 1,35% registrado em dezembro de 2020]”, afirma.

A avaliação é que a elevação dos combustíveis, principalmente da gasolina, afeta diretamente os consumidores no momento em que vão abastecer o carro, mas há também o impacto indireto, como nas passagens aéreas e nos bilhetes de ônibus municipais, assim como no encarecimento dos aplicativos de transporte e do frete rodoviário, que, por sua vez, influencia na alta dos alimentos. “Temos um choque inicial muito forte e que acaba se espalhando para pressionar os demais itens”, diz.

A persistência da inflação em um patamar elevado, conforme Júlia Passabom, também tem uma explicação ligada aos efeitos da pandemia. “A crise sanitária trouxe uma série de disrupções na oferta global de bens na medida em que as fábricas fecharam. Então ainda temos gargalos de produção no mundo”, avalia.

Outra razão tem a ver com os preços das commodities, como agrícolas, minério de ferro e o petróleo. “Isso trouxe uma pressão inflacionária adicional a partir da taxa de câmbio. Vimos uma depreciação do real nos últimos meses e por isso há um repasse ao consumidor”, acrescenta.

Além de tudo isso, o cenário de escassez hídrica contribuiu para o IPCA alto, pois resultou em uma bandeira tarifária mais cara. “Passamos parte do ano prevendo um pico da inflação e esse pico, por todos esses choques, foi ficando cada vez mais alto”, considera a economista.

“Sem alívio nas commodities e no câmbio, a tendência é que a gente ainda tenha uma inflação alta no primeiro trimestre de 2022. Uma leitura mais tranquila deve vir somente perto da metade do ano que vem”, completa Júlia Passabom.


Você também pode gostar
Redação IF Publicado em 25.maio.2022 às 08h55
Inflação: pequenas mudanças driblam a disparada dos preços

Com regras simples, você vai tomar as melhores decisões para o seu bolso

Redação IF Atualizado em 24.maio.2022 às 18h02
Prévia da inflação de maio deve elevar projeções para a Selic, avaliam economistas

Analistas do mercado consideram que ciclo de aperto monetário pode se estender mais um pouco

Redação IF Publicado em 24.maio.2022 às 10h23
Presidente do Bradesco diz que inflação deve começar a ficar ‘mais controlada’ a partir de 2023

Octavio de Lazari Junior acredita também que a taxa de juros 'só poderá ser reduzida no ano que vem'

Redação IF Publicado em 23.maio.2022 às 09h16
Macy’s pode oferecer pistas sobre força dos gastos do consumidor nos EUA

Investidores monitoram pistas sobre o comportamento da inflação no país