Banco Central prevê inflação de 2021 acima de 10%

A instituição admitiu oficialmente que a inflação ficará acima de 10% pela primeira vez desde 2015 — quando somou 10,67%

(Foto: Pixabay)

O Banco Central informou nesta quinta-feira (16) que aumentou de 8,5% para 10,2% a estimativa de inflação para o ano de 2021, calculada com base no IPCA.

A previsão consta do relatório de inflação do quarto trimestre deste ano e considera a trajetória estimada pelo mercado financeiro para as taxas de juros e de câmbio neste ano e em 2022.

Com isso, a instituição admitiu oficialmente que a inflação ficará acima de 10% pela primeira vez desde 2015 — quando somou 10,67%.

O BC também confirmou novamente que a meta não será cumprida neste ano, algo que já tinha acontecido em setembro deste ano. Quando isso acontece, o BC tem de escrever uma carta pública explicando as razões.

O centro da meta de inflação, em 2021, é de 3,75%. Pelo sistema vigente no país, será considerada cumprida se ficar entre 2,25% e 5,25%. Com isso, a projeção do BC está bem acima do teto do sistema de metas.

Por que importa?

Segundo o BC, em seu Relatório de Inflação de dezembro, essas projeções supõem a continuidade da crise sanitária, a diminuição dos níveis atuais de incerteza econômica ao longo do tempo e ausência de novas ações fiscais, conjunturais ou estruturais.

A piora nos prognósticos para o quarto também reduzem a projeção de crescimento para este ano. Houve redução nas previsões de crescimento para três setores em 2021:

  • Agropecuária: passou de crescimento de 2% no último Relatório de Inflação para recuo de 0,6%;
  • Indústria: a previsão de crescimento recuou de 4,7% para 4,1%, com piora nas projeções para a indústria de transformação e para a produção e distribuição de eletricidade, gás e água;
  • Serviços: em 2021 recuou de 4,7% para 4,6%.

Como afeta seus investimentos?

As perspectivas do BC podem impactar a curva de juros futuros, o que mexe com a rentabilidade de diversos produtos de renda fixa, como os títulos do Tesouro Direto. Se o BC prever inflação e juros maiores, a renda fixa pode se valorizar em detrimento da renda variável.

Fique por dentro:

Varejistas europeias contra o desmatamento

Quatro varejistas europeias decidiram parar de comprar o beef jerky (um snack de carne bovina defumada) que a JBS produz com a americana Jack Link’s no Brasil após uma denúncia das ONGs Repórter Brasil e Mighty Earth de que o frigorífico utiliza carne de gado criado em áreas desmatadas ilegalmente.

Alckmin se desfilia do PSDB

Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo, se desfiliou do PSDB, partido que ajudou a fundar, nesta quarta-feira (15). Especula-se que o político irá compor a chapa de Lula em 2022, filiando-se ao PSB.

Doria compõe seu time econômico

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, João Doria (PSDB) deve anunciar nesta quinta (16) quatro primeiros nomes do seu Comitê Econômico para a campanha para presidente. Ainda de acordo com o jornal, os nomes seriam: Henrique Meirelles, Ana Carla Abrão, Zeina Latif e Vanessa Rahal Canado. Persio Arida é especulado como o quinto nome.

Menos carne no prato

A inflação e o aumento da pobreza reduzem a presença da carne no prato do brasileiro nos últimos três anos. Segundo estimativa do especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA, Cesar de Castro Alves, a pedido da BBC News Brasil, o consumo de carne por pessoa está no mesmo nível de 2016.

No país como um todo, se espera uma queda anual de 2% em 2021, para 5,24 milhões de toneladas de carne bovina, o menor valor em 12 anos. No ano passado, a queda anual em relação a 2019 foi de 10%.

Reforma do IR

Enquanto a reforma do Imposto de Renda está parada no Senado Federal, o relator do projeto, Angelo Coronel (PSD-BA), propôs o aumento da isenção do IR para pessoas físicas para R$ 3.300 ao mês.

De acordo com o senador, esta faixa incluiria cerca de 19 milhões de contribuintes. Atualmente, são isentos aqueles que ganham até R$ 1.903,98 por mês.

Para acompanhar hoje:

10h30 pedidos semanais de desemprego e construção de novas casas em novembro nos EUA

11h15: produção industrial e vendas da indústria dos EUA em novembro

11h45: PMI industrial e de serviços dos EUA em dezembro

16h: decisão sobre juros no México

16h: PIB da Argentina no terceiro trimestre

Com edição de Denyse Godoy


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