IF HOJE: Focus indica inflação maior, dólar mais caro e desaceleração do PIB

Os componentes do PIB podem desenhar previsões mais assertivas sobre crescimento, inflação e juros

Inflação segue preocupando brasileiros (Foto: Pixabay)

Os novos números do boletim Focus, divulgados nesta segunda-feira (6) pelo Banco Central, reforçam a expectativa dos agentes do mercado financeiro de que a inflação oficial do país irá fechar 2021 em dois dígitos. A estimativa para o IPCA foi elevada de 10,15% para 10,18%. Para 2022, a estimativa subiu de 5% para 5,02%.

Os especialistas das instituições financeiras também passaram a ver um crescimento menor da economia em 2021 e 2022. A projeção para a alta do PIB neste ano desacelerou de 4,78% para 4,71%. Para o ano que vem, a previsão baixou de 0,58% para 0,51%.

No panorama para o câmbio, o relatório do BC mostrou uma revisão para cima. A perspectiva para o dólar avançou de R$ 5,50 para R$ 5,56 em 2021, enquanto a expectativa para 2022 subiu de R$ 5,50 para R$ 5,55.

O mercado manteve a projeção para a taxa Selic tanto em 2021 quanto em 2022. Na avaliação dos agentes econômicos, os juros básicos devem subir a 9,25% ao ano na última reunião de 2021 do Copom (Comitê de Política Monetária). Já para 2022, a taxa deve ter novas elevações e ficar em 11,25% ao ano.

Este é o primeiro boletim Focus depois que o Brasil entrou em recessão técnica. Na última quinta (2), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que o PIB caiu 0,1% no terceiro trimestre, após recuo de 0,4% no segundo trimestre — dois períodos seguidos de contração são chamados de recessão técnica.

Com a economia patinando, é possível que o Banco Central reduza o ritmo de alta na Selic e que a inflação perca força.

Por que importa?

O boletim Focus reúne estimativas de diversos analistas e dá um bom panorama do que pode estar por vir. É essencial consultar previsões econômicas antes de tomar decisões de investimentos e de gastos.

Como afeta seus investimentos?

Se o mercado ver juros e inflação menores no médio prazo, ativos de renda fixa podem se desvalorizar. Ao mesmo tempo, caso a contração na economia se prolongue, a renda variável também pode ser penalizada.

Fique por dentro:

Ômicron

Autoridades de saúde em todo o mundo estão começando a informar, cautelosamente, que a variante ômicron do novo coronavírus é mais contagiosa, porém é barrada com eficiência pelas vacinas existentes e não provoca mais casos gravos do que as demais. O mercado financeiro está atento à evolução dessa nova fase da pandemia, que traz o medo de novas paralisações da economia. Atenção: ainda é preciso mais dados para chegar a alguma conclusão.

Mudanças no Ministério

Os atuais secretários-especiais da Receita Federal, José Tostes, de Emprego e Competitividade (Sepec), Carlos da Costa, estão de saída Ministério da Economia. Eles continuarão no governo, mas em postos no exterior.

A saída de Tostes vem após auditores fiscais fazerem uma “moção de desconfiança” contra o secretário, ameaçando paralisações. Segundo o jornal Valor Econômico, a saída não está relacionada com isso.

Outra mudança na pasta é a criação da Secretaria Especial de Estudos Econômicos, de sigla S3E, que irá comandar a Secretaria de Política Econômica, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o IBGE e parte da Sepec (Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade). A S3E ficará ao encargo de Adolfo Sachsida, atual secretário de Política Econômica.

Evergrande

A China vai ajudar a incorporadora Evergrande a sair da crise. A pedido da empresa, a província de Guangdong, onde ela está sediada, irá disponibilizar um grupo de trabalho para auxiliar na administração de riscos da companhia que não consegue cumprir com suas obrigações financeiras.

Juros

Segundo o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Jr., está difícil repassar a alta nos juros aos clientes dada a rápida alta da Selic para um patamar elevado (7,75% ao ano) e a maior concorrência no setor bancário.

Financiamento imobiliário

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, a Caixa Econômica Federal subiu os juros do financiamento imobiliário. A linha corrigida pela TR (Taxa Referencial) foi de 7% a 8% ao ano para 8% a 8,99% ao ano. A mudança entrou em vigor dia 23 de novembro.

Para acompanhar hoje:

07h: encontro do Eurogrupo (ministros da economia dos países da zona do euro)

08h25: boletim Focus

21h: Reino Unido divulga vendas do varejo em novembro

Com edição de Denyse Godoy


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