10 recomendações de economistas e especialistas em gestão financeira para este momento

O cenário permanecerá desafiador ao longo dos próximos meses. Portanto, o planejamento financeiro deve ser reforçado para garantir que os boletos serão pagos em dia e conseguir aproveitar o final de ano

Fôlego por recompra de ações se mantém e operações já se aproximam de total de 2020

Pontos-chave

  • Perda do poder aquisitivo é um dos principais reflexos do choque de preços
  • Renda de quem trabalha só deve ter melhora significativa com o crescimento consistente da economia
  • Planejadora diz que planilha é a forma mais eficiente para ter controle da situação financeira e construir reserva de emergência

Com a queda no número de mortes por Covid-19 — a média móvel está abaixo de 400 mortes há oito dias — cresce a vontade de viver tudo que há para viver e nos permitir, certo? É natural, depois de tantos meses praticando o distanciamento social, querer recuperar o tempo de lazer e convivência.

Tão importante quanto estar próximo da família e dos amigos é cuidar do planejamento financeiro diante do panorama da economia. O cenário permanecerá desafiador ao longo dos próximos meses. Portanto, o planejamento do orçamento deve ser reforçado para garantir que os boletos serão pagos em dia e conseguir aproveitar o final de ano.

Conheça dez recomendações de economistas e especialistas em gestão financeira para este momento

  1. Escreva uma lista de todas as suas fontes de receita e de todas as despesas mensais habituais. Pode ser num caderninho ou numa planilha, tanto faz. O que importa é ter um diagnóstico preciso dos seus fluxos financeiros. “As grandes despesas, como conta de luz e água, você até guarda na cabeça e sabe se encareceu e se precisa poupar. Mas são as besteirinhas somadas que podem fazer uma enorme diferença no bolso”, diz a planejadora financeira Myrian Lund. “Você precisa saber o destino do dinheiro. Começar a fazer uma planilha parece difícil, só que com o tempo você fica mais habituado e tem uma consciência melhor para tomar as decisões.”
  2. Faça uma cópia dessa lista para cada mês à frente. Acrescente, no espaço do mês de vencimento, os gastos típicos da época que não dá para evitar, como a taxa de matrícula na escola das crianças e o IPVA (Imposto Sobre Propriedade de Veículos Automotores).
  3. Verifique qual é o saldo dos seus recebimentos depois de descontar todas as despesas, as fixas e as sazonais. Esse é o montante que você tem disponível – mas ainda não é hora de sair às compras.
  4. Confira como está a sua reserva de dinheiro para emergências como perder o emprego, uma possibilidade que não pode ser descartada em um cenário de instabilidade como o atual. O ideal é ter de três a seis meses de despesas guardados em uma aplicação fácil de resgatar. Reforce esse caixa se necessário.
  5. Pense nos presentes que gostaria de dar e em compromissos como amigos secretos e confraternizações que estão sendo marcados. Coloque tudo no papel para facilitar a visualização, em detalhes: os valores dos mimos e da cerveja no happy hour, da sobremesa para o almoço de família e da caixinha dos funcionários do condomínio, das roupas novas e da reposição das taças que quebraram e desfalcariam o brinde no Ano Novo. Quanto mais exato esse levantamento, maior é a segurança e a tranquilidade para fazer esses gastos.
  6. Invista tempo fazendo pesquisas de preço do que pretende comprar. Com a inflação em alta, o comércio e os consumidores perdem um pouco da noção dos valores, e os produtos podem apresentar enormes diferenças de uma loja a outra. O que se economiza com uma mercadoria pode ajudar a bancar outras.
  7. Se o orçamento não estiver sendo suficiente para cobrir tudo, tire alguns itens da programação ou corte os valores – este pode ser um Natal de lembrancinhas; o que vale é a consideração, como dizem nossas avós. “Sem uma perspectiva de melhora da renda, o fim de ano ainda vai ser de escolhas na hora de fazer as compras”, diz Sérgio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados. “Por causa da inflação, pode haver maior concentração de gastos em itens esseciais.”
  8. Quando for tomar decisões sobre o que fica e o que sai da lista, não se esqueça de ponderar os benefícios emocionais de cada produto ou evento. Após tanto sofrimento com a pandemia, ninguém está no seu melhor estado psicológico; uma viagem, um plano de academia de ginástica ou um pacote de massagens podem ser bastante úteis na recuperação da sua saúde mental para entrar em 2022 com mais energia.
  9. Se surgir a oportunidade de parcelar uma compra, avalie com cuidado se as prestações cabem no orçamento dos próximos meses. “Uma geladeira nova pode ser necessária e proporcionar economia de luz no longo prazo. Mas vale a pena comprometer o salário dividindo farmácia, supermercado ou roupas?”, questiona Lund. Evite entrar no cheque especial e rolar a fatura do cartão de crédito, porque os juros estão subindo.
  10. Considere procurar um trabalho temporário extra para complementar as receitas. Além das tradicionais vagas de vendedor em lojas, agora há oportunidades na logística de compras virtuais (separar, entregar, despachar), no atendimento ao cliente por telefone ou chat, e em produção de conteúdo para redes sociais, que têm sido um grande canal de comercialização, especialmente para os pequenos varejistas. O comércio e os serviços, especialmente os prestados às famílias e os ligados ao turismo, devem concentrar as contratações no quarto trimestre. “São setores que empregam muita gente e que dependiam da flexibilização da quarentena”, diz Rodolpho Tobler, pesquisador do FGV IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

O cenário econômico desafiador oferece a chance de um importante aprendizado para quem consegue se organizar e fazer planos nos períodos de baixa. O prêmio para os mais disciplinados pode ser a tranquilidade para enfrentar o período difícil e, quem sabe, até engordar a reserva de emegência ou os investimentos.


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