Há pistas no IPCA para quem quer amenizar os efeitos da inflação?

A IF avalia o cenário para cinco pontos sensíveis do orçamento doméstico

Foto: Ivonaldo Alexandre/Valor

A inflação oficial do país, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), caminha para fechar novembro em um novo pico no acumulado em 12 meses. O maior patamar até o momento foi alcançando em outubro, quando índice ficou em 10,67%. O IPCA-15, que foi divulgado na última semana pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e é considerado uma prévia da inflação, mostrou uma taxa de 10,73% em um ano.

A persistência da inflação em um patamar alto é nítida e tem causado um estrago no bolso do brasileiro. O Banco Central tem atuado para controlar os preços com a elevação da Selic. A taxa básica de juros da economia, que lá em janeiro estava em 2% ao ano, deve subir em dezembro e encerrar 2021 em 9,25% ao ano, conforme o boletim Focus. O aperto monetário vai continuar em 2022 e a expectativa é que a Selic atinja 11,25% ao ano no final do atual ciclo.

O processo de combate à inflação, por meio da elevação da taxa de juros, não tem efeito imediato. Ele deve começar a fazer efeito somente na metade do ano que vem, como apontaram especialistas ouvidos pela Inteligência Financeira. Mas o que o consumidor pode fazer agora para amenizar a pressão dos preços? A IF avalia cinco pontos sensíveis do orçamento doméstico e o que os dados mais novos do IPCA apontam sobre o cenário.

Transporte

A gasolina segue absoluta como a vilã no bolso principalmente de quem depende do carro para trabalhar ou se locomover pelas cidades. O preço do combustível teve uma valorização de 44,83% apenas em 2021. A alternativa pelo transporte por aplicativo não tem sido uma boa ideia. A modalidade encareceu 16,23% na prévia de novembro, depois de ter subido 11,60% em outubro. Por outro lado, o bilhete do transporte público soma uma valorização de 3,57% ano, mas teve um leve recuo de 0,30% na última sondagem.

Conta de luz

A energia elétrica na prévia de novembro (0,93%) teve variação menor que a de outubro (3,91%), indicando uma possível tendência de descompressão, na avaliação de Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos. “É esperado que não haja outras altas”, observa. Os preços devem continuar elevados já que, desde setembro, está em vigor a bandeira tarifária escassez hídrica, que acrescenta R$ 14,20 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos. O início da estação das chuvas, no entanto, reduz a possibilidade de racionamento ou a chance de ser adotada uma bandeira ainda mais cara.

Alimentação e bebidas

Outro grupo que desacelerou na prévia de novembro (0,40%) em relação a outubro (1,38%), devido às altas menos intensas nos preços do tomate (14,02%), do frango em pedaços (3,07%) e do queijo (2,88%). A boa notícia é que houve quedas nas carnes (-1,15%), no leite longa vida (-3,97%) e nas frutas (-1,92%). “Parte dessa queda na inflação de alimentos reflete efeitos temporários. No caso da carne bovina, a manutenção do embargo chinês às exportações brasileiras aumenta a oferta no mercado doméstico”, comenta João Leal, economista da Rio Bravo. “Mas o comércio (com o país asiático) já está começando a ser liberado, o que pode pressionar os preços novamente”, pondera. “O preço no atacado voltou a explodir e deve ser elevado novamente em dezembro no varejo”, acrescenta Étore Sanchez sobre o panorama para a carne vermelha.

Vestuário

Quem pretende comprar roupas no final do ano vai ter que pesquisar antes e procurar por promoções. O grupo vestuário (1,59%) teve a segunda maior variação do mês do IPCA-15, com altas em todos os itens pesquisados, com destaque para roupas femininas (2,05%), masculinas (1,88%), e infantis (1,30%). O economista-chefe da Ativa Investimentos vê na valorização um efeito indireto dos combustíveis. “Tem uma alta completamente contra-sazonal, que pode estar associado ao frete”, diz. “Os preços estão ainda sendo impulsionados por uma forte demanda, por uma pressão de custos de insumos com os problemas na cadeia de suprimentos e com a alta de produtos básicos como combustíveis e energia”, reforça João Leal, economista da Rio Bravo.

Saúde e cuidados pessoais

O grupo apresentou uma alta de 0,80% na prévia de novembro contra outubro influenciada pelos itens de higiene pessoal (1,65%) e produtos farmacêuticos (1,13%). “São itens cujo dólar é forte componente por insumos importados”, explica Étore Sanchez. “Os itens tenderão a perder força de avanço nos próximos meses se o câmbio encontrar patamar de equilíbrio, ao redor de R$ 5,50”, completa o economista.


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