Grandes investidores ampliam dinheiro em caixa para maior patamar desde atentados de 11 de setembro

Preferência por dinheiro vivo coincide com enfraquecimento significativo das expectativas quanto aos lucros das empresas

Nasdaq: mercado de ações automatizado, em Nova York, onde estão listadas mais de 2 800 ações de diferentes empresas
Bolsa eletrônica Nasdaq, em Nova York, EUA

Pontos-chave

  • O índice Nasdaq caiu quase 25% em 2022, afundando-se na tendência de baixa depois de os investidores terem se afastado de empresas de tecnologia anteriormente altamente recomendadas

A parte em dinheiro vivo nas carteiras dos gestores de fundos globais aumentou para o maior patamar desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, uma realocação que reflete as preocupações dos grandes investidores com a deterioração das perspectivas dos mercados acionários.

A proporção aumentou, em média, para 6,1% nos portfólios de gestores globais de ativos, segundo o Bank of America (BofA), que reuniu informações de 288 profissionais de investimentos que, somados, administram US$ 833 bilhões para planos previdenciários, empresas de seguros, gestores de ativos e fundos hedge.

A preferência por manter dinheiro em caixa – que normalmente é mais popular em tempos de aumento na aversão ao risco – coincide com o enfraquecimento significativo das expectativas quanto aos lucros das empresas. Em termos líquidos, 66% dos gestores de fundos consultados em maio manifestaram que preveem queda nos lucros mundiais, um número comparável a outros períodos de crise, como o da implosão do Lehman Brothers em 2008 e o posterior ao estouro da bolha das empresas ponto.com em 2000.

Michael Hartnett, estrategista-chefe de investimentos do Bank of America, disse que o sentimento entre os investidores agora é “extremamente pessimista”, com um total líquido de 13% dos gestores de fundos consultados tendo passado a ter posições em renda variável “abaixo da média” em comparação a seus referenciais. Em abril, o total líquido havia sido de 6% “acima da média”.

“A psicologia dos investidores tem sido muito abalada e o resultado é esse”, disse Hartnett.

Analistas de Wall Street vêm reavaliando para cima suas projeções de lucro das empresas americanas em 2022 desde janeiro e Hartnett disse que uma pequena dose de boas notícias poderia resultar em uma onda temporária de valorização do mercado acionário. Ele também advertiu, no entanto, que o “piso definitivo” para as ações ainda não foi atingido, mesmo depois de o índice MSCI All Country World, um referencial das ações mundiais, ter recuado quase 17%, em dólares, desde o início do ano.

O índice Nasdaq caiu quase 25% em 2022, afundando-se na tendência de baixa depois de os investidores terem se afastado de empresas de tecnologia anteriormente altamente recomendadas.

Os gestores de fundos globais vinham tendo, reiteradamente, uma posição “acima da média” em ações tecnológicas há 14 anos, mas a alocação desabou para um total líquido de 12% “abaixo da média” em maio.

“Isso representa a maior ‘[posição] vendida’ em tecnologia desde agosto de 2006”, disse Hartnett.

O Goldman Sachs está com uma posição “acima da média” em caixa e na segunda-feira rebaixou as ações para posição “neutra” em seu panorama de três meses.

Christian Mueller-Glissmann, estrategista do Goldman Sachs em Londres, disse que os investidores precisariam ver a inflação (atualmente a maior em 40 anos nos EUA) chegando a um “teto convincente” antes que o apetite por risco possa se estabilizar.

“As ações agora estão correlacionadas negativamente com as expectativas de inflação, sugerindo que os investidores estão muito mais preocupados com os riscos da inflação e seu impacto sobre as ações,” disse Mueller-Glissmann.

Richard Dunbar, chefe de análise de multiativos na gestora de fundos Abrdn, que tem sede em Edimburgo, disse que os níveis de inflação elevados e persistentes estão fomentando dúvidas se o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) conseguirá evitar jogar a economia americana em uma recessão para restaurar a estabilidade dos preços.

“Os investidores ainda não estão levando em conta nos preços uma recessão nos EUA, mas há um pessimismo cada vez maior quanto à capacidade do Fed para encontrar um equilíbrio na política monetária e conseguir uma aterrisagem suave para a economia dos EUA”, disse Dunbar.

Por Chris Flood, Financial Times

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