Gasolina cara afeta aluguel de veículos

Motoristas de aplicativos já devolveram 30 mil veículos desde junho por aumento nos custos

Foto: Divulgação/Localiza

Pontos-chave

  • Problema impacta no mercado de trabalho, com a redução no número de motoristas de aplicativo
  • Cenário pode mexer com as ações das locadoras com negócios na bolsa de valores
  • Falta de veículos no mercado também vira entrave para renovação da frota

A disparada no preço da gasolina tem dificultado a vida dos motoristas de aplicativos como Uber e 99 e levou a uma devolução de 30 mil veículos às locadoras de junho até agora, apontou a Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla). Paralelamente, a Abla informou que renovar frota ainda é um desafio ante a falta de automóveis zero quilômetro no mercado. Na média, o setor comprou 33.664 veículos por mês até setembro, queda de 25% na comparação com a média mensal de 2019.

“Mercado para motorista ainda não está sendo retomado. Acreditamos em retomada se o preço do combustível voltar a ter patamar mais baixo. E se os aplicativos reajustarem o valor da tarifa dando possibilidade para que eles [motoristas] recomponham a renda mensal”, disse ontem o presidente da Abla, Paulo Miguel Junior.

Atualmente muitos usuários estão com dificuldade em conseguir motoristas de aplicativos. As startups não confirmam redução de motoristas, embora as associações que representam a categoria já tenham sinalizado debandada.

Segundo a Abla, os motoristas de aplicativo alugavam 200 mil veículos das locadoras no início do ano passado. Esse número chegou a cair cerca de 80% no pico da crise, entre abril e maio de 2020, mas se recuperou no fim do ano. As novas perdas vieram depois de junho deste ano, na esteira do aumento no preço da gasolina. Hoje, o segmento aluga cerca de 170 mil veículos das locadoras.

Renovar frota ainda é um desafio para as locadoras. Com a crise nas cadeias produtivas e dificuldade de recebimento de componentes, as montadoras estão pedindo entre 240 e 300 dias para entregar os veículos (antes eram cerca de 90). Sem carros no mercado, a idade média da frota das locadoras, que antes na casa de 15 meses, hoje está em 23 meses. A estimativa é que o setor comece a se normalizar só em 2023.

Quem tem sofrido mais para renovar a frota são as locadoras de pequeno e médio porte. No total, são 11 mil locadoras no país (sendo que a Abla representa 800). “Tem carro chegando a 36 meses de uso”, disse Miguel. Nas líderes do setor, a idade média também subiu, mas está na casa dos 15 meses no aluguel de carros (RAC).

O cenário levou Miguel a reforçar a preocupação da associação com movimentos de consolidação, como o da Localiza, que quer incorporar a Unidas (as duas são as maiores do país). O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) avalia o negócio.

“O mercado de pequenas e médias não tem tido acesso a veículos”, disse. “Sempre vai existir uma diferenciação entre os grandes e os médios, é claro. Mas entre eles não pode haver essa diferença tão grande”, acrescentou.

O setor deve comprar 380 mil veículos neste ano, um crescimento de 5,56% na comparação com os 360 mil veículos adquiridos em 2020. Em 2019, antes dos efeitos da pandemia, as compras foram de 620 mil.

No fim do ano passado, a Abla havia dito que o setor tinha demanda para comprar 800 mil veículos neste ano (apetite que se mantém para 2022), mas o processo de renovação de frota foi frustrado pela falta de veículos no mercado.

Até 10 de outubro, as locadoras do país compraram 310 mil veículos. Historicamente, o setor compra 20% da produção nacional de carros todo ano. As locadoras do país acumularam frota total de 1,07 milhão de veículos, crescimento de 6,26% na comparação com o fechamento de 2020.


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