Financiamentos: o que fazer agora?

A alta nos indicadores que corrigem diversos contratos acende um alerta em quem busca comprar a casa ou o carro próprio

Casa própria: você precisa de uma?
Ilustração: Marcelo Andreguetti/Inteligência Financeira

A recente alta nos indicadores que corrigem diversos contratos de financiamento acende um alerta em quem busca comprar a casa ou o carro próprio, ou já se começou a pagar as parcelas.

Neste ano, a Selic, taxa básica de juros do país, subiu de 2% para 9,25% e a previsão é que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), inflação oficial do país, termine o ano em 10,05%, depois de subir 4,3% em 2019 e 4,5% em 2020. Ao fim de 2021, se espera uma Selic de 11,5% e um IPCA de 5%.

Muitos contratos pós-fixados são corrigidos por estes índices, que também baseiam as taxas dos contratos prefixados já que os bancos elevam o juro inicial. Assim, boa parte dos financiamentos ficou mais caro.

Para conseguir pagar as parcelas restantes ou conseguir um financiamento que cabe no seu bolso a dica dos especialistas é negociar com o seu banco e com outros bancos, que poderiam receber seu financiamento via portabilidade.

Vale a pena gastar tempo buscando renegociar e reduzir os juros”, diz Daniela Mir Gelamo, planejadora financeira CFP pela Planejar.

“É possível renegociar o modelo, mas depende do banco aceitar. Na portabilidade, seria feito um novo financiamento e a mudança tem um custo. O cliente tem que se perguntar se o saldo devedor é o mesmo no refinanciamento, para não trocar seis por meia dúzia”, afirma Ricardo Teixeira, coordenador do MBA de Gestão Financeira da FGV.

Segundo Teixeira, a evolução do mercado, com o aparecimento de novas instituições financeiras, facilitou a negociação com os bancos. “A competição e a tecnologia [do setor] aumentaram”, diz o especialista.

Para não levar desvantagem na mudança, o cliente deve pedir a discriminação de item por item dentro do financiamento para entender como está sendo composta a taxa cobrada e fazer contas para identificar o tamanho das parcelas futuras e se elas vão caber no seu bolso.

“O financiamento tem que ser confortável para se pagar. Se ele for feito no limite, a chance de inadimplência é grande, especialmente naqueles de longo prazo, diz Teixeira.

“Tente quitar o mais rápido possível financiamentos atrelados ao IGP-M ou ao IPCA para evitar que esse juro fique incontrolado. Busque vender outros bens para amortizar parcelas. Ideal mesmo é pagar à vista, mas isso não é a realidade da maioria”, afirma Daniela.


5 passos para baratear o seu financiamento

  • Compare os produtos que o mercado está oferecendo
  • Depois, com conhecimento do mercado, vá ao banco e tente renegociar o seu financiamento
  • Em seguida, veja o quanto outras instituições cobrariam
  • Voltar para o seu banco com as cartas de ofertas de concorrentes e veja se é possível cobri-las
  • Caso outro banco cobre mais barato ao final da negociação, faça a portabilidade do financiamento se o seu contrato permitir

Outra alternativa citada pela planejadora é fazer um empréstimo em outra instituições com taxas de juros menores para quitar o financiamento com juros maiores.

Daniela relembra que a melhor alternativa é tentar antecipar a conclusão do financiamento em momento de alta de juros e da inflação.

Ela aponta que pode ser mais vantajoso, caso se tenha a disciplina, guardar, mensalmente, um valor destinado ao carro ou à casa próprios em um investimento de renda fixa e, no futuro, pagar à vista ou a maior parte à vista, do que financiar tudo.

“Todo o financiamento tem que ser bem calculado antes. Às vezes só avaliamos o tamanho da parcela, se cabe no bolso, mas não se deve seguir essa lógica, é preciso calcular o juro. Às vezes se paga mais de juro [em uma casa ou carro] do que se pagaria de aluguel ou em outras formas de transporte e, em muitos financiamentos, se paga três vezes o preço do imóvel”, afirma a especialista.


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