Dimon quer reconquistar acionistas do J.P. Morgan após queda de ações

Os papéis do J.P. Morgan estão cambaleando desde que o CEO falou em janeiro sobre aumento inesperado nas despesas

Jamie Dimon, do JP Morgan. Foto: Valor

Dentro do J.P. Morgan Chase & Co., executivos seniores contam com um dia de investidores para se redimirem de uma teleconferência rotineira de janeiro, agora amplamente vista como desastrosa. As ações do J.P. Morgan estão cambaleando desde que o CEO Jamie Dimon e o diretor financeiro Jeremy Barnum informaram os analistas sobre os resultados do no final do ano passado e previram um aumento inesperado nas despesas. À medida que o par repassava o plano da empresa de aumentar os gastos naquela manhã em meados de janeiro, as ações já em queda começaram a cair ainda mais – em sua maior queda em um dia desde 2020.

O dia do investidor da empresa na próxima segunda-feira (23) – o primeiro desde o início da pandemia – visa acalmar os acionistas com mais clareza sobre suas despesas mais altas. Com suas ações caindo cerca de 25% este ano, tornando-se o pior desempenho entre seus maiores pares de Wall Street – e após uma forte rejeição pelos investidores do pacote de compensação de Dimon nesta semana – as apostas para o encontro serão altas.

“Vejo este dia do investidor como o J.P. Morgan jogando mais na defesa, tentando defender como sua disciplina financeira é tão boa quanto no passado”, disse Mike Mayo, analista de banco veterano do Wells Fargo & Co. “Eles estão mostrando recorde de crescimento de despesas e menos excesso de capital”.

Na teleconferência de janeiro, o banco previu um aumento de 8,6% nos gastos, com o objetivo de criar ofertas, acelerar a tecnologia e competir por talentos. Mayo, que fez repetidos pedidos de mais informações sobre como as recentes aquisições e gastos do banco serão recompensados, rebaixou sua recomendação sobre as ações em resposta.

Se Dimon, de 66 anos, pode restabelecer sua empresa nas boas graças de seus investidores – como ele fez tantas vezes em sua carreira – dependerá de como o banco demonstra controle das despesas em meio a crescentes preocupações com o crescimento econômico dos EUA.

A agenda de investimentos do J.P. Morgan “deve estar na frente e no centro” no dia do investidor, escreveu a analista do Credit Suisse Group AG, Susan Katzke, em nota na quarta-feira.

“Parece bem claro que o mercado quer ouvir mais de nós e estamos ansiosos para contar a história e levar algum tempo para entrar em mais detalhes”, disse o diretor financeiro Barnum em fevereiro, ao anunciar os planos da empresa de realizar o evento. Barnum deve se apresentar junto com Dimon e outros executivos, incluindo o presidente Daniel Pinto e as co-chefes de banco de consumo Marianne Lake e Jennifer Piepszak.

Os investidores concentraram-se nas despesas após a recente onda de compras do J.P. Morgan, com o ano passado mais ativo para aquisições e investimentos estratégicos desde pelo menos a crise financeira. O banco gastou quase US$ 5 bilhões em aquisições nos últimos 18 meses, acrescentando cerca de US$ 700 milhões às suas despesas incrementais de investimento neste ano, escreveu Dimon em sua carta anual aos acionistas em abril. Com o tempo, os investimentos “devem se pagar por si mesmos”, disse Dimon durante a reunião anual da empresa na terça-feira, prometendo que mais detalhes serão divulgados no dia do investidor.

Além dos custos, as expectativas de receita também estarão no topo da agenda, principalmente porque o Federal Reserve continua a aumentar as taxas de juros. Dimon disse na terça-feira que, embora o J.P. Morgan já tenha levantado sua orientação de receita líquida de juros para refletir seis aumentos de 25 pontos-base, a empresa agora espera mais aumentos e fornecerá novas orientações no evento de segunda-feira.

Se os investidores serão aplacados depende de “uma maior apreciação pela agenda de investimentos da administração”, disse Katzke, do Credit Suisse, bem como “uma capacidade de enxergar além dos riscos no ambiente operacional”.

Por Bloomberg.

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