Copom considerou implementar “ritmos de ajuste maiores na taxa básica de juros” na semana passada

Avaliação consta na ata da última reunião do Copom, quando a taxa básica de juros subiu para 7,75% ao ano

Sede do Banco Central
(Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Pontos-chave

  • O BC fez uma reavaliação do cenário econômico e deixou de projetar uma “recuperação robusta” da atividade econômica no segundo semestre deste ano
  • Segundo a ata, indicadores recentes da produção industrial e do comércio vieram abaixo do esperado, apesar de uma recuperação ainda “robusta” do setor de serviços
  • O cenário internacional é menos favorável para países emergentes, com reversão de estímulos fiscais e processos de alta nos juros

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) informou que considerou cenários com “ritmos de ajuste maiores na taxa básica de juros” do que o anunciado na última semana — quando a taxa básica de juros subiu para 7,75% ao ano. A informação consta da ata da reunião do Copom divulgada nesta quarta-feira (3).

O BC reavaliou o cenário econômico brasileiro e deixou de projetar uma “recuperação robusta” da atividade econômica no segundo semestre deste ano. O documento aponta o cenário que foi levado em conta pelo Copom na decisão de elevar a taxa básica de juros, na última semana. De acordo com a ata, indicadores recentes da produção industrial e do comércio vieram abaixo do esperado, apesar de uma recuperação ainda “robusta” do setor de serviços.

“O Comitê manteve a expectativa de uma retomada da atividade no segundo semestre, ainda que menos intensa e mais concentrada no setor de serviços. Essa reavaliação reflete o impacto das limitações na oferta de insumos em determinadas cadeias produtivas, que devem perdurar até o próximo ano”, informa a ata.

O Copom considerou que a elevação dos juros e o as condições financeiras adversas contribuem para a desaceleração da economia. O cenário internacional, segundo o Copom, tem se tornado menos favorável, refletindo a persistência do cenário de inflação e a consequente reação dos bancos centrais. “O próximo ano deve ser caracterizado por menor crescimento [a nível global].” Para as economias emergentes, como o Brasil, essa combinação implica um cenário mais desafiador, com a possibilidade de reversão de estímulos fiscais e processos de alta nos juros.

Para 2022, informa a ata, se por um lado a elevação dos prêmios de risco (relação entre o risco e o rendimento dos investimentos) e o aperto das condições financeiras desestimulam a atividade econômica, por outro, o Copom avalia que o crescimento tende a ser beneficiado por três fatores. Primeiro, a continuação da recuperação do mercado de trabalho e do setor de serviços. Segundo, o desempenho de setores menos ligados ao ciclo de negócios, como agropecuária e indústria extrativa. Por último, a retomada natural da economia à medida que a pandemia causada pelo Covid-19 arrefece.

As projeções de crescimento para 2021 vem caindo por três semanas seguidas, de acordo com o relatório Focus, que reúne as expectativas do mercado. Atualmente em 4,94%, a projeção esteve em 5,04% há um mês. As revisões para baixo também são vistas, com mais intensidade, para 2022. O Focus mostra projeção de alta no PIB de 1,2%, contra 1,4% na semana passada. Já o Itaú passou a prever queda na atividade de 0,5%.

Para a próxima reunião, que acontece nos dias 7 e 8 de dezembro, o Comitê antevê outro ajuste da mesma magnitude (1,50 ponto percentual). O Copom enfatiza, conforme a ata, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação e dependerão da evolução da atividade econômica e das projeções e expectativas de inflação.


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