Como Elon Musk colocou o Twitter no bolso

Veja como Musk conseguiu dobrar o conselho do Twitter, que se opunha à oferta do CEO da Tesla

Elon Musk, fundador da Tesla e, logo, controlador do Twitter (Foto: Heisenberg Media/Wikimedia)

Elon Musk colocou o Twitter no bolso, algo que até bem pouco tempo parecia impensável. O ponto de inflexão na negociação com a empresa de mídia social aconteceu na quinta-feira (21). Na manhã deste dia, ele surpreendeu o conselho da empresa ao revelar que havia conseguido levantar US$ 46,5 bilhões em financiamento, dando credibilidade à oferta de aquisição que havia feito apenas uma semana antes.

Nos bastidores, os banqueiros que acompanhavam a negociação do lado do Twitter entregaram um relatório a seus executivos, dizendo que a oferta de US$ 54,20 por ação de Musk era justa. O mesmo relatório afirmava que a empresa teria dificuldade para financiar seu crescimento de forma a posicionar sua ação num valor próximo do oferecido por Musk.

As ações das grandes empresas de tecnologia dispararam com a pandemia. Seus negócios se mostraram resilientes e os investidores – cheios de dinheiro graças aos esforços dos bancos centrais para sustentar a economia – correram para capitalizar o rápido crescimento destas companhias.

Agora, os mesmos investidores estão reavaliando estes negócios, à medida em que ponderam se as ‘big tech’ podem manter a mesma velocidade de crescimento, necessário para justificar os astronômicos valores de mercado destas companhias. Na semana passada, a catástrofe da Netflix deixou investidores em estado de alerta.

Neste contexto, o que parecia uma mão forte para o conselho do Twitter apenas alguns dias antes – quando Musk não tinha o financiamento e tinha aparentemente pouco apoio dos acionistas – perdeu força. Daí em diante uma questão passou a revirar os cérebros dos executivos do Twitter: Musk conseguiria mesmo levantar o capital? O gráfico mostra como Musk levantou o capital necessário para colocar o Twitter no bolso.

Patchwork de pagamento

Elon Musk está pagando pelo Twitter em parte com seu próprio dinheiro e o restante com uma mistura de financiamento e empréstimo contra suas ações da Tesla. Veja como e onde Musk levantou US$ 46,5 bilhões para comprar o Twitter.

Veja como Musk conseguiu dobrar o conselho do Twitter, que até então se opunha à oferta do CEO da Tesla
Fontes: Comissão de Valores Mobiliários dos Estados UNidos/The Wall Street Journal

Musk penhorou cerca de US$ 60 bilhões de suas ações Tesla – cerca de um terço de sua participação – como garantia para empréstimos bancários, vinculando sua fortuna pessoal à do Twitter. Outros US$ 21 bilhões virão do seu próprio dinheiro, o que pode significar a venda de ações adicionais da Tesla, quando a empresa está avançando. Por causa deste receio dos investidores, as ações da Tesla desabaram nos últimos dias. Só ontem, a queda foi de 12%.

O Twitter será sobrecarregado com centenas de milhões de dólares em pagamentos de juros anuais, um risco para qualquer empresa. Especialmente neste caso, já que Musk disse que não se importa se a plataforma ganha dinheiro. O Twitter teve problemas para fazê-lo ao longo dos anos. Ao afastar a empresa da moderação de conteúdo, que Musk chamou de censura, ele provavelmente a envolverá em debates sobre liberdade de expressão e segurança online.

Musk enfrentará a possibilidade de permitir que o ex-presidente Donald Trump volte ao Twitter. Após o tumulto de 6 de janeiro do ano passado, a empresa informou que suspendeu permanentemente a conta pessoal de Trump. O ex-presidente disse à Fox News na segunda-feira (25) que não tinha planos de retornar ao Twitter. Em vez disso, Trump  afirmou que usaria sua rede social ‘Truth Social’ para conquistar  seguidores.

Em uma reunião geral de funcionários na tarde de segunda-feira (25), o CEO do Twitter, Parag Agrawal, disse que não havia demissões planejadas e que as prioridades da empresa não estavam mudando antes do fechamento do acordo, informou o The Wall Street Journal (WSJ). Questionado sobre a possibilidade de Trump ser autorizado a voltar ao Twitter, Agrawal desviou do assunto, segundo o WSJ, dizendo que, uma vez que Musk assuma, “não sabemos em que direção a empresa pode ir”.


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