Procurando emprego? Saiba como vai ficar o mercado de trabalho em 2022

A tendência é que a criação de vagas com carteira assinada perca o ímpeto com a desaceleração da economia

Trabalhadores levantam suas Carteiras de Trabalho em protesto contra o desemprego
(Foto: Pixabay)

O Brasil terminou 2021 com a criação de 2,7 milhões de vagas com carteira assinada, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) informados nesta segunda-feira (31) pelo Ministério do Trabalho e da Previdência. O saldo positivo no ano passado foi um reflexo do avanço da vacinação contra a covid-19, da flexibilização das regras sanitárias e da recuperação econômica dos efeitos da pandemia um ano antes. Para 2022, no entanto, a expectativa é de um desaquecimento na abertura de vagas formais.

“A tendência daqui em diante é de desaceleração, o que é natural tendo em vista que a economia desacelerou bastante no segundo semestre. Normalmente, há demora de alguns meses meses para que se vejam os reflexos das flutuações na atividade econômica no emprego”, diz o economista Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

Na avaliação do especialista, o setor informal é quem deve puxar a criação de empregos nos próximos meses. “O setor que está preenchendo a lacuna deixada pela pandemia é o setor serviços, que concentra grande informalidade. Como o setor de serviços ainda tem certa distância em relação a nível pré-pandemia, ainda veremos geração de emprego informal maior do que formal”, observa Duque.

O panorama neste ano, nas projeções da XP, é que o emprego formal continue a subir, ainda que a um ritmo mais moderado. “A dissipação dos benefícios do programa BEm (Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda) e o arrefecimento contínuo das admissões devido ao enfraquecimento da demanda doméstica são as principais razões por trás desse cenário”, escreve em notao economista Rodolfo Margato. “Assim, esperamos criação líquida de 950 mil empregos formais em 2022, com uma média ao redor de 100 mil no primeiro semestre e 60 mil no segundo semestre”, acrescenta.

Bruno Ottoni, da consultoria IDados, indica que o resultado negativo de dezembro de 2021 (fechamento de 265 mil vagas) já indica um mercado de trabalho mais fraco que o esperado. “Os analistas já estavam mais pessimistas no fim do ano com inflação e juros surpreendendo para cima e questões fiscais desafiadoras. Isso já estava embutido. É preciso entender o que não foi incorporado nas projeções e o que teria levado a essa surpresa”, destaca. “Como em 2022 as projeções são de que o PIB não terá desempenho tão expressivo assim, mais próximo de zero, teremos (dados do) Caged menores”, completa.

Com informações do Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor Econômico


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