Copom sinaliza juros mais altos até 2023

Ata do Copom reforçou a preocupação do Banco Central com a persistência da inflação

Sede do Banco Central, em Brasília (Foto: Pablo Jacob/ Agência O Globo)

Ao sinalizar que irá subir a Selic em mais 1,5 ponto percentual, para 10,75% ao ano, na primeira reunião de 2022, o Copom (Comitê de Política Monetário do Banco Central) reiterou a preocupação “de assegurar a estabilidade de preços”. Na ata divulgada nesta terça-feira (14), o colegiado indicou que o ciclo de aperto monetário deve continuar nos encontros seguintes e citou como argumento o “risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos”.

“O Banco Central está vendo a inflação acima da meta em 2022 mesmo em um cenário quando eleva os juros a 11,75% ao ano”, comenta o economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor do BC. “Os números do mercado também estão descolados da meta de 3,25% para o ano que vem. Então é para ficar preocupado. Passar dois anos com a inflação estourando a meta aumenta a descrença na autoridade monetária”, acrescenta.

Na avaliação de Schwartsman, a política monetária vai avançar em território contracionista até as reuniões do Copom de maio ou junho, com a Selic podendo chegar a 12,50% ao ano. “2022 está perdido. Não tem como desinflacionar nesse ritmo (de 10% para 3,25%) em um ano”, afirma o economista. “A briga do BC é por 2023. Então ele vai usar para política monetária para terminar o próximo ano em um processo de normalização”.

Em relatório, o Itaú Unibanco aponta que a perspectiva é que os juros básicos da economia permaneçam em um patamar elevado por mais tempo. “A ata do Copom indica que as autoridades planejam aumentar a taxa Selic para a casa dos 12%, se não além, e manter a taxa básica em patamar contracionista por um período prolongado”, observa o banco.

“Isso claramente contraria as expectativas de que o Copom possa realizar cortes de juros já no final de 2022”, prossegue. “Por enquanto, esperamos que as autoridades encerrem o ciclo de alta em março, com a Selic em 11,75% ao ano, mas os riscos vão na direção de juros mais elevados”, completa o comentário assinado pelo economista-chefe, Mario Mesquita.


Você também pode gostar
Redação IF Publicado em 17.maio.2022 às 07h26
Freio na economia chinesa deve fazer Brasil crescer menos

Analistas projetam expansão menor em 2023 e inflação global maior, também devido à guerra na Ucrânia e à alta de juros nos EUA

4 min
Redação IF Publicado em 16.maio.2022 às 12h23
Sondagem da XP vê inflação no fim de 2022 maior do que projeção do último Focus

Divulgação do relatório do Banco Central está paralisada por causa da greve dos servidores

2 min
Anne Dias Atualizado em 15.maio.2022 às 07h16
Especialistas reforçam a importância dos ativos atrelados aos juros

Semana agitada pela queda das criptomoedas e migração para a renda fixa

3 min
Manhã Inteligente Publicado em 12.maio.2022 às 12h36
Tesouro Direto em alta, corte nas tarifas de alimentos, Nubank compra criptomoedas

Isabella Carvalho e Caio Camargo falam sobre os assuntos que vão afetar seus investimentos hoje

Anne Dias Atualizado em 11.maio.2022 às 20h04
Juros devem continuar subindo

Ata do Copom é marcada por uma só palavra: "incerteza"

2 min
Redação IF Publicado em 11.maio.2022 às 14h36
5 min
Manhã Inteligente Publicado em 11.maio.2022 às 11h22
Ata do Copom, medidas do governo para frear a inflação e NFTs no Instagram

No Manhã Inteligente, Isabella Carvalho e Victor Vietti falam sobre os assuntos que podem afetar seus investimentos nesta quarta (11)