Carne deve seguir cara: Entenda por que apesar dos descontos da Black Friday e da deflação de 0,55% em setembro

Rebanho brasileiro é de boa qualidade e o preço para estrangeiro, em dólares, está barato pela desvalorização do real

(Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo)

Pontos-chave

  • Com o real desvalorizado e a inflação alta, o brasileiro perdeu poder de compra, o que faz com que a carne mais alta pese ainda mais no nosso bolso

A carne vermelha deve seguir como vilã na conta do supermercado nos próximos meses. Apesar do pequeno alívio nos preços em outubro, a China —principal importadora da carne brasileira— deve retomar em breve as compras da proteína, o que manterá os preços elevados.

Na terça-feira (23), a Administração Geral de Alfândegas da China (GACC, na sigla em inglês) liberou a entrada de carne bovina brasileira no país, o que deve reduzir a oferta do produto —desde o início de setembro o produto está barrado devido a casos isolados de vaca louca. Segundo relatório da XP de setembro, o gigante asiático comprou 55% das nossas exportações de carne bovina neste ano.

“Há uma quantidade enorme de carne estocada em navios e em portos para entrar na China. Com a recente redução das vendas para os chineses, o preço aqui arrefeceu, mas isso já está mudando”, afirma André Braz, economista do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

Dados de segunda (22) apontam que a cesta da carne nos supermercado teve deflação (fenômeno em que os preços de produtos e serviços caem em determinado período) de 0,55% em outubro. Segundo o IPS (Índice de Preços dos Supermercados), calculado pela Apas (Associação Paulista de Supermercados) em parceria com a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), de 14 cortes de carnes, dez ficaram mais baratos no mês passado com a maior oferta interna do produto.

O acém teve deflação de 3,10% e a alcatra, de 1,39%. No ano, há uma inflação de 9,32% e de 11,00%, respectivamente. No acumulado de 2021, a cesta de carnes como um todo está 13,05% mais cara.

“A queda do preço da carne se condiciona a exportação e o maior problema é a China. Nosso rebanho é de boa qualidade e o preço para estrangeiro, em dólares, está barato pela desvalorização do real”, diz Braz. 

Com o real desvalorizado e a inflação alta, o brasileiro perdeu poder de compra, o que faz com que a carne mais alta pese ainda mais no nosso bolso.

Como encaixar a carne no orçamento?

“É difícil substituir a carne. Para comprá-la é importante pesquisar o preço antes porque a diferença entre supermercados, atacarejos e açougues é grande. também é bom aproveitar promoções e evitar o desperdício”, afirma Regina Prataviera, planejadora financeira CFP pela Planejar.

A especialista também recomenda escolher o corte e a marca que mais se encaixa no orçamento. A carne moída e as carnes “de segunda” são mais baratas, assim como cortes de frango, porco e alguns peixes.

“O ideal é ir às compras toda semana. Comprando com mais frequência é possível aproveitar mais promoções”, diz Prataviera.

Outra dica é planejar as compras com antecedência, pensando no cardápio semanal, quinzenal ou mensal. E antes de sair de casa, é preciso fazer um inventário de tudo que já está na dispensa para evitar compras desnecessárias ou que algum alimento estrague.

“Faça a lista pensando no cardápio e no estoque, até para poder aproveitar alguma promoção”, diz Cintia Senna, terapeuta financeira e professora da escola de educação financeira DSOP.

Para não passar aperto no fim do mês também é preciso ajustar o orçamento pensando na alta dos alimentos. Para fazer uma boa distribuição do salário, é importante documentar todas as despesas e gastar menos do que se ganha.

“É preciso apertar o gasto em outras áreas para não faltar o que é mais necessário. Temos que fazer sacrifícios para passar bem esses períodos [de inflação alta]”, diz Regina, da Planejar.

Uma última dica é levar uma calculadora para o supermercado e ir somando os itens do carrinho para não levar surpresa no caixa ou gastar além da conta.


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