Bolsas em Nova York são penalizadas por perda de 14% da Amazon

Nasdaq tem pior mês desde crise de 2008

Nasdaq: mercado de ações automatizado, em Nova York, onde estão listadas mais de 2 800 ações de diferentes empresas
Bolsa eletrônica Nasdaq, em Nova York, EUA

Os três principais índices acionários de Wall Street terminaram a sessão desta sexta-feira, a última do mês, em queda consistente, em dia em que as ações da Amazon caíram 14%. O movimento ocorreu depois de a empresa de Jeff Bezos anunciar em seu balanço trimestral ontem, após o fechamento do mercado, que teve prejuízo no primeiro trimestre de 2022, o primeiro desde 2015. Para ajudar a azedar ainda mais o humor dos investidores, hoje o índice de preços gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) apresentou mais uma aceleração, indicando que a inflação segue quente no país. Diante disso, o índice Nasdaq registrou o pior desempenho desde 2008.

No fim do pregão, o índice Dow Jones terminou em queda de 2,77%, a 32.977,21 pontos, enquanto o S&P 500 recuou 3,63%, a 4.131,93 pontos, e o Nasdaq perdeu 4,17%, a 12.334,64 pontos. Entre os índices setoriais do S&P 500, o pior desempenho ficou com o segmento de consumo discricionário, com perda de 5,92%. A justificativa de tal recuo está nas ações da Amazon, que caíram 14,05% na sessão, a US$ 2.485,63.

Ontem, a empresa fundada por Jeff Bezos divulgou que teve prejuízo de US$ 3,84 bilhões no primeiro trimestre deste ano. Foi a primeira perda para a companhia desde 2015. A companhia disse que a retração está relacionada a desvalorização da Rivian Automotive, na qual ela tem participação.

Outra big tech até lutou para buscar algum ganho, depois de ter apresentado seus números ontem, mas acabou no vermelho. As ações da Apple recuaram 3,66%. Ontem a marca divulgou um crescimento 5,8% em seu lucro líquido no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2021. O que pesou para a companhia foram os gargalos causados pela oferta de componentes provenientes da China, diante de bloqueios no país para controlar a covid-19.

O dia ainda foi marcado pelo leve recuo das ações da Tesla, em queda de 0,77% depois do anúncio de que o presidente da companhia, Elon Musk, vendeu mais uma fatia de suas ações, desta vez US$ 4,5 bilhões de ações. Musk disse, no entanto, que não planeja novas vendas. Vale lembrar que nesta semana, Musk teve sua proposta de compra do Twitter por US$ 44 bilhões aprovada.

Para azedar ainda mais o humor, hoje a divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) mostrou uma aceleração na inflação. O indicador cresceu 6,6% em março, enquanto o projetado por economistas ouvidos pelo “The Wall Street Journal” era de um aumento de 6,4%. A notícia boa é que o núcleo do indicador, que exclui a variação de energia e alimentos, desacelerou e foi para 5,2%, depois de avançar 5,4% em fevereiro. O indicador é o preferido pelo Federal Reserve (Fed) para avaliar a evolução de preços na economia americana. O dado foi divulgado um dia depois de ser apresentado que o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA caiu 1% no primeiro trimestre de 2022, ante os últimos três meses do ano passado.

Com o fim da sessão de hoje, o Nasdaq terminou com o pior desempenho desde outubro de 2008, caindo 13,26%. Já o S&P 500 e o Dow Jones tiveram o pior desempenho desde março de 2020, quando foi decretada pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Esses dois últimos caíram 8,80% e 4,91%.

A bolsa de tecnologia foi mais afetada porque é mais sensível ao aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro. No mês o yield da T-note de dez anos saiu de 2,345% para 2,926% perto das 17h30 desta sexta-feira. Na semana que vem, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), do Federal Reserve (Fed) deve se reunir para decidir o ritmo do aperto monetário. A expectativa é que ocorra um aumento de 0,50 ponto percentual nas taxas de juros.

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