Análise: economia da China está pedindo ajuda e o pior ainda está por vir

Resultado do PIB no primeiro trimestre pode não ter capturado 'o verdadeiro grau de perdas' com os lockdows por causa do avanço da covid no país

Foto: PIxabay

O crescimento acima do esperado do Produto Interno Bruto (PIB) da China no primeiro trimestre deste ano ofusca as dificuldades que a segunda maior economia do mundo está enfrentando, sendo que o pior ainda está por vir, avaliam economistas ao comentar os dados do PIB chinês divulgados hoje.

O PIB chinês registrou alta de 4,8% do PIB chinês no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, ante expectativa de +4,6%. O resultado, portanto, superou as estimativas, apesar dos impactos na economia chinesa devido ao ressurgimento de casos de covid-19 no país e às incertezas do ambiente internacional.

Em relatório, as economistas do Société Générale Wei Yao e Michelle Lam observam que o crescimento do PIB da China entre janeiro e março e os dados de atividade no mês passado surpreenderam positivamente, levando à revisão para cima da previsão de alta do PIB chinês em 2022, de 4,3% para 5%.

Porém, elas observam que, “na realidade”, a economia chinesa está “em apuros”, com os números não necessariamente capturando “o verdadeiro grau de perdas no ímpeto de crescimento até o final de março”. “O problema são os bloqueios que ainda estão em vigor e se espalhando”, comentam Yao e Lam, referindo-se aos lockdowns por causa da disseminação da variante ômicron do coronavírus no país.

Ao menos nove cidades chinesas de províncias no norte, leste e no centro da China estão em “gerenciamento estático” contra a covid-19, com medidas específicas e alvos localizados em diferentes situações, como a suspensão de refeição em restaurantes e atividades esportivas e culturais.

“O pior ainda está por vir”, resume, em comentário, o economista sênior para China da Capital Economics, Julian Evans-Pritchard. Para ele, os dados de abril devem ser “ainda piores”, com os bloqueios afetando a atividade no período. “Indicadores sugerem que as interrupções se intensificaram desde o início do mês”, comenta.

Segundo ele, a menos que a situação melhore “muito em breve”, é difícil ver como o crescimento econômico não diminuirá neste segundo trimestre. “O resultado é que o desempenho econômico da China permanecerá sem brilho no curto prazo”, avalia o economista da CapEcon.

Já as economistas do SocGen preveem que a implementação da política de tolerância zero à covid-19 seja ajustada nas próximas semanas, permitindo que o setor industrial em Xangai retome a produção.

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