Análise: bom momento de serviços está voltado para quem atende a empresas e não a famílias

Setor atingiu em março o maior nível desde maio de 2015

Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo

O bom momento dos serviços — que atingiram em março o maior nível desde maio de 2015 e já estão 7,2% do patamar pré-pandemia — reflete especialmente o desempenho de quem trabalha para empresas e não para famílias. A análise foi feita por Rodrigo Lobo, gerente da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

O movimento dos serviços prestados às empresas, segundo ele, é puxado principalmente pelas atividades ligadas à tecnologia da informação e também à logística, dentro de transportes.

“Esse bom momento do setor de serviços se deve sobretudo àqueles voltados às empresas, e não aos prestados às famílias. Um dos principais destaques há algum tempo são os serviços de tecnologia de informação, além da parte de logística dentro de transportes”, explicou ele.

O gerente do IBGE ressaltou que houve uma “demanda significativa” por serviços ligados à tecnologia da informação na pandemia, com busca por digitalização, armazenamento de dados em nuvem e segurança cibernética, por exemplo. Ao mesmo tempo, completou, o transporte de cargas foi favorecido pelo agronegócio.

Rodrigo Lobo ponderou, portanto, que há razões para esse comportamento diferente entre os diferentes segmentos de serviços. “A parte de tecnologia de informação movimentou de maneira significativa a demanda por esse tipo de atividade. Isso movimenta mais o mercado de empresas do que o dia a dia das pessoas.”

“Uma coisa não invalida a outra. São formas diferentes de separar o setor de serviços”, complementou. “Por outro lado, a pessoa comum é afetada por taxas de juros crescendo, aumenta o endividamento. O que não invalida o fato de o agronegócio estar indo bem, que favorece o transporte de carga, em seus diferentes modais.”

A atividade de serviços prestados às famílias respondia, em março de 2022, por apenas 7,05% do volume de serviços como um todo, de acordo com a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS).

Essa participação, que era de 8,53% antes da pandemia, chegou a níveis bem mais baixos durante o período mais restritivo para o funcionamento das atividades, como 6,11% em março de 2020 e 3,57% em abril de 2020.

No caso de serviços prestados às famílias, Lobo ressalta que há uma recuperação paulatina, mas que ainda é insuficiente para voltar ao nível pré-pandemia.

Em março de 2022, o segmento estava 12% abaixo do patamar de fevereiro de 2020, a única entre as cinco atividades de serviços que ainda não ultrapassou aquele nível.

“Mas isso não significa necessariamente que outros elementos do setor de serviços, especialmente aqueles voltados às empresas, não tenham tido destaque a partir de junho de 2020 até agora”, disse.

Outro fator que ajuda a explicar o desempenho dos serviços às famílias, segundo Lobo, é a própria desigualdade social. Esse consumo — de hotéis, restaurantes e academias de ginástica, por exemplo — é puxado pelas de renda mais alta, enquanto as demais têm seu orçamento mais restrito a itens essenciais, como os de supermercado e o aluguel.

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