Bolsas em NY fecham em queda com energia e tecnologia registrando fortes perdas

Os três principais índices acionários de Wall Street fecharam o pregão de hoje em território negativo

Nasdaq: mercado de ações automatizado, em Nova York, onde estão listadas mais de 2 800 ações de diferentes empresas
Bolsa eletrônica Nasdaq, em Nova York, EUA

Os três principais índices acionários de Wall Street fecharam o pregão de hoje em território negativo. A queda consistente se deu diante de uma forte penalização dos segmentos de energia e de tecnologia, ambos afetados pela preocupação do investidor com o crescimento econômico global, principalmente das duas maiores potências econômicas. Na sessão de hoje, os rendimentos dos títulos do Tesouro ficaram mais fracos e caíram, enquanto o dólar no exterior seguiu instável, operando perto da linha d’água no fechamento do mercado.

No fim do pregão, o índice Dow Jones terminou em queda de 1,99%, a 32.245,70 pontos, enquanto o S&P 500 perdeu 3,20%, a 3.991,24 pontos, e o Nasdaq recuou 4,29%, a 11.623,25 pontos. No ano, o Nasdaq cai mais de 25%. Entre os índices setoriais do S&P 500, o pior desempenho ficou com o segmento de energia, com perda de 8,30%, em dia em que os preços do petróleo caíram mais de 5% seja no contrato Brent (julho) ou no WTI (junho).

O recuo dos preços do petróleo estão vinculados à preocupação com a economia chinesa. Dados econômicos de abril mostraram uma forte desaceleração nas exportações do país. Aliado a isso, Xangai voltou a apertar as restrições na cidade para conter a disseminação da covid-19.

Na mesma linha, o temor com o crescimento econômico nos Estados Unidos vem aumentando. Isso porque a inflação não tem demonstrado desaceleração, enquanto o mercado de trabalho se mostra ainda bastante apertado. Diante disso, o Federal Reserve (Fed) tem margem para manter sua postura mais severa no controle da elevação de preços. Nesta semana, na quarta-feira, a atenção deve se voltar à divulgação do indicador de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) referente ao mês de abril nos EUA.

Hoje a segunda e a terceira maior queda vieram de setores que se beneficiaram com a expansão do balanço patrimonial do Fed (imobiliário e tecnologia) e agora devem sofrer com o enxugamento da carteira do BC americano. No caso do segmento imobiliário, as perdas chegaram a 4,62%, enquanto o setor de tecnologia perdeu 3,94%.

Para Edward Moyam analista sênior da Oanda, Wall Street continua sem inspiração para “comprar em baixa”, já que a inflação parece destinada a permanecer alta, o que forçará o Fed a apertar a política a níveis que comprometerão a aterrissagem suave que a maioria dos investidores espera. “Ninguém pode responder com confiança à questão de quando as ações atingirão o fundo, mas se o mercado de opções for o principal ponto focal para muitos investidores, isso pode sugerir que a pressão descendente sobre as ações pode durar um pouco mais.”

Ações das big techs ficaram todas no vermelho: Apple caindo 3,32%, Alphabet perdendo 2,80%, Microsoft caindo 3,69 e Amazon recuando 5,21%. Esta última foi mais impactada pelo recuo das ações da montadora de vans elétricas Rivian Automotive, com perdas de 20,88%. David Faber, da CNBC, twittou no sábado que a Ford, um dos primeiros investidores da Rivian, venderia oito milhões de suas 102 milhões de ações. O JPMorgan também está vendendo entre 13 milhões e 15 milhões de suas ações, disse Faber. Diante disso, as ações da empresa despencaram e pesaram sobre as ações da Amazon.

Vale lembrar que em seu balanço divulgado há duas semanas, a Amazon justificou que seu prejuízo (o primeiro desde 2015) se devia, entre outras coisas, a sua participação na Rivian, já que a desvalorização da fabricante de vans a prejudicou.

Já a Uber caiu 11,62%, depois que a empresa de carona disse que planeja reduzir as contratações e cortar seus gastos com marketing e incentivos de mercado. De acordo com a CNBC, o presidente-executivo da Uber, Dara Khosrowshahi, enviou um e-mail à equipe dizendo que contratações serão consideradas “privilégio” e que a empresa será mais severa em seus cortes de gastos.

No fim da sessão, o dólar no exterior seguia perto da linha d’água, com ligeiro ganho de 0,03%. Já o rendimento da T-note de dez anos operava a 3,034%, de 3,124% da última sessão.

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