Bancos reduzem projeção para o crédito em 2022

Segundo pesquisa da Febraban, saldo de operações deve aumentar 6,7% neste ano; estimativa anterior era alta de 7,3%

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Executivos de instituições financeiras revisaram para baixo as perspectivas para o mercado de crédito neste ano, segundo pesquisa divulgada ontem pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban). De acordo com o levantamento, o saldo de empréstimos e financiamentos deverá crescer 6,7% em 2022. A projeção anterior, coletada em novembro, indicava alta de 7,3%.

Segundo a Febraban, a nova sinalização “está em linha com a redução, pelo Banco Central, das estimativas de crescimento do PIB em 2022 (de 2,1% para 1%) e também decorre da elevada base de comparação (forte e surpreendente expansão em 2021)”.

Em comunicado, a entidade também destacou que a desaceleração vem após dois anos de crescimento atípico do volume de operações. Agora, o crédito deve voltar a se expandir num ritmo parecido com o de antes da pandemia – em 2019, o estoque avançou 6,5%.

Para 2021, no entanto, a expectativa do setor é que o saldo de crédito tenha avançado 13,9%. A projeção supera os 12,7% estimados no levantamento anterior. A Pesquisa Febraban de Economia Bancária e Expectativas é feita a cada 45 dias, após a divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Foram ouvidos 18 bancos.

A Febraban destacou que as estimativas para a carteira total de crédito em 2021 estão abaixo da nova projeção do BC, que passou de crescimento de 12,6% para 14,6%, “reforçando a expectativa de alguma acomodação em relação ao ritmo atual de expansão de crédito (de 16% em outubro), mas ainda assim com um resultado bastante expressivo”.

A revisão para cima do das projeções para o desempenho do crédito relativo ao ano passado ocorreu tanto nas operações com recursos livres quanto naquelas que utilizam recursos direcionados. Os participantes da pesquisa esperam um crescimento maior para a carteira livre (de +14,8% para 16,3%), impulsionada pelas altas do segmento pessoa física livre (de +12,7% para +13,9%). A perspectiva para a carteira com recursos direcionados também foi revisada para cima (de +8,1% para 10%).

“Mesmo em um cenário de continuidade da pandemia da covid-19, o crédito, em 2021, assim como já tinha acontecido em 2020, funcionou como uma espécie de muro de contenção na preservação da atividade econômica”, disse, em nota, Rubens Sardenberg, diretor de economia, regulação prudencial e riscos da Febraban. “Os bancos irrigaram a economia com forte expansão de sua carteira, especialmente no crédito destinado às famílias, que acelerou com a reabertura das atividades econômicas em decorrência principalmente do avanço da vacinação no país.”

Segundo Sardenberg, no entanto, 2022 será um ano de “acomodação” no crédito, refletindo a piora das perspectivas econômicas e a “alta mais acentuada da Selic para conter a inflação”.

A pesquisa mostra também que, para 2022, houve revisão no crédito destinado às famílias, especialmente no crédito pessoal, que passou de alta de 10,5% para 10,2%, e uma ligeira piora na estimativa da taxa de inadimplência da carteira livre, que subiu de 3,7% para 3,8%.

Metade dos executivos ouvidos na pesquisa acredita ser baixa probabilidade de cumprimento da meta de inflação em 2022, com a taxa convergindo para o centro dela em 2023. Em relação ao desempenho do PIB de 2022, apesar das recentes para baixo, 83,3% dos participantes ainda esperam crescimento no ano (em torno de 1%). Para a minoria dos entrevistados (16,7%), a expectativa é de recessão.


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