Análise: Bolsonaro contra-ataca manifesto pela democracia com medidas econômicas

Fábio Zambeli, do JOTA, comenta os principais acontecimentos políticos da semana

Jair Bolsonaro — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo

O presidente Bolsonaro enfrentou uma resistência organizada e muito expressiva de setores importantes da economia ao discurso de questionamento das urnas eletrônicas. Duas das principais entidades empresariais do país, a Fiesp, que reúne a nata da indústria paulista, e a Febraban, que agrega os principais bancos, preparam manifestos em defesa da democracia e em apoio ao Tribunal Superior Eleitoral.

Essa reação robusta de entidades que vinham se mantendo distantes da corrida presidencial preocupou e muito o núcleo político do governo, que vem ensaiando uma tentativa de armistício com a Justiça Eleitoral. Ministros, mais uma vez, buscam baixar a tensão entre os poderes na medida em que cresce a convocação de Bolsonaro para as manifestações previstas para o 7 de Setembro – que devem ter um forte apelo contra o Judiciário.

Enquanto isso, o presidente segue NA TENTATIVA de se recuperar nas pesquisas, agora com novo corte no preço dos combustíveis, mais uma vez autorizado pela nova gestão da Petrobras, bastante alinhada ao Planalto. O governo trabalha ainda para acelerar os primeiros pagamentos do auxílio Brasil de R$ 600. O calendário foi antecipado em 10 dias para que os efeitos apareçam mais rapidamente na campanha à reeleição.

Na campanha do ex-presidente Lula, que permanece à frente nas pesquisas, novidades no campo da economia: o petista começou a apresentar com mais detalhes o seu plano para um eventual governo. Acenou ao mercado prometendo um novo marco fiscal para substituir o teto de gastos, sinalizou que pretende abraçar uma reforma tributária, caso eleito, e admitiu que pode ter um técnico no Ministério da Economia, desde que tenha perfil político e saiba dialogar com o Congresso.

A terceira via, que vive sob permanente ameaça, agora tem nome e sobrenome: a senadora Simone Tebet superou os entraves no seu partido, o MDB, e foi homologada pelos convencionais. Ela será a candidata do bloco que também conta com o PSDB e o Cidadania. Simone, pontuando mal nas pesquisas, terá agora a árdua missão de decolar numa campanha marcada pela polarização.

(Por Fábio Zambeli, analista-chefe do JOTA em São Paulo)