Alta do petróleo deve influenciar juros e câmbio em dia de decisões do Fed e do Copom

Bancos centrais dos EUA e do Brasil devem aumentar os juros nesta quarta (4)

(Foto: Zbynek Burival/Unsplash)

Embora o pregão desta quarta-feira (4) seja de espera antes das decisões do Fed (Federal Reserve) e do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), o que tenderia a deixar os negócios mais contidos, a curva de juros pode ter um pregão de maior volatilidade. O salto nos preços do petróleo no mercado internacional pode exercer alguma pressão nos vértices curtos da curva, no momento em que os agentes têm montado posições compradas em inflação implícita. Além disso, o dia é de alta do dólar ante emergentes, o que pode influenciar o câmbio doméstico.

Por volta de 8h35, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar contra uma cesta de seis divisas principais, recuava 0,09%, aos 103,37 pontos. Já em relação a moedas de mercados emergentes, o dólar subia 0,66% contra o rand sul-africano; tinha alta de 0,12% em relação à lira turca; e avançava 0,08% em relação ao peso chileno. O sinal de alta do dólar ante emergentes, assim, pode afetar o desempenho do real e corrigir os excessos de ontem, quando o real exibiu forte performance.

O dia, contudo, tende a ser mais calmo no mercado de câmbio, na medida em que os participantes do mercado aguardam a decisão de política monetária do Fed, às 15h, que será seguida de coletiva de imprensa do presidente do Fed, Jerome Powell. A ampla expectativa é de uma alta de 0,5 ponto percentual nos juros, para o intervalo entre 0,75% e 1%. Além disso, os agentes esperam sinais de Powell quanto aos próximos passos do banco central e informações sobre como e quando se dará o processo de enxugamento da carteira de ativos do Fed.

Se, no câmbio, a primeira etapa dos negócios tende a ser mais calma, no mercado de juros o dia promete alguma volatilidade, na medida em que os preços do petróleo saltam 4% nos mercados internacionais. Durante a madrugada, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a União Europeia deve encerrar as importações de petróleo russo e começar a cortar gradualmente a compra nos próximos seis meses, o que ajudou a pressionar os preços do óleo.

Cabe apontar que, nos últimos dias, o mercado tem precificado uma inflação implícita muito elevada no curto prazo – o que voltou a acontecer ontem, mesmo com a queda relevante do dólar e dos preços do petróleo. Dados da Renascença apontam que a inflação embutida na NTN-B com vencimento em agosto subiu de 8,01% para 8,08%, enquanto a implícita extraída da NTN-B para maio de 2023 avançou de 7,45% para 7,58%. Assim, com a alta do petróleo, é possível que os agentes continuem a montar posições compradas em implícita, o que pode pressionar adicionalmente a ponta curta da curva.

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