Fundo de investimento ou ETF: qual é o melhor para a sua carteira?

Ambos podem ser boas opções para a diversificação do portfólio

Fundo de investimento ou ETF? Muitas pessoas ainda têm dúvidas em relação a esses dois tipos de investimento. Você sabe qual é a melhor opção para você? A seguir, confira mais informações sobre essas classes de ativos para decidir qual deve predominar na sua carteira.

O que são fundos de investimentos?

Em linhas gerais, os fundos de investimento são uma forma de aplicar em diversos tipos de ativos. São divididos em cotas, e cada cotista possui um número de cotas proporcional ao valor total de seus investimentos.

“O fundo de investimento funciona como um condomínio no qual o gestor reúne os recursos dos cotistas e investe em diferentes tipos de ativos”, afirma Marcelo Boragini, sócio e especialista em renda variável da Davos Investimentos. “Existem vários tipos de fundos, como, por exemplo, fundos de ações, fundos de renda fixa, fundos imobiliários, fundos cambiais e assim por diante”, exemplifica ele.

Os cotistas são os donos de fundos. Porém, há uma série de profissionais que trabalham para que o dinheiro deles seja aplicado da melhor forma possível, a partir do combinado na política do fundo.

“A gestão de fundo de investimento pode ser ativa ou passiva. Um fundo de gestão ativa, por exemplo, sempre busca superar determinado benchmark, ou seja, ele vai tentar trazer para o investidor um retorno maior do que algum índice ou ativo financeiro”, pontua Boragini.

O que são ETFs?

Um ETF também é um fundo de investimento. Porém, a negociação ocorre como as ações, via B3, sendo intermediada pelas corretoras.

Em geral, esse tipo de fundo replica os investimentos de um índice, por isso são também chamados de fundos de índices ou fundos espelhos.

“Os ETFs são uma espécie de fundo de investimento de gestão passiva. O objetivo deles, de uma maneira geral, é acompanhar o desempenho de determinado mercado financeiro nacional ou internacional. Ou seja, o objetivo dos fundos de gestão passiva não é superar o benchmark, mas, sim, acompanhar determinado índice de mercado”, diz Boragini.

O BOVA11 e o BOVV11, por exemplo, são ETFs que replicam o indicador mais importante de desempenho médio das cotações das ações da B3, o Ibovespa . Trata-se de uma cesta que reúne as principais empresas presentes no índice, tendo rendimento muito semelhante a ela.

O investidor lucra quando as cotas se valorizam no longo prazo, podendo, assim, comprá-las quando os preços estiverem baixos e vendê-las quando houver alta.

Existem também ETFs que seguem o desempenho de commodities, como o petróleo; ETFs temáticos, que reúne empresas de diferentes focos e ETFs de renda variável e fixa.

Pensando especificamente em um fundo de ações, uma diferença importante para o ETF é que o modelo de gestão passiva deste tipo de fundo demanda menos trabalho dos gestores. Assim, o ETF costuma ser muito mais barato, com taxas de administração geralmente menores que 0,5% ao ano.

Quais são as vantagens e desvantagens dos fundos de investimento?

Entre as vantagens dos fundos de investimento, Marcelo Boragini cita “o alcance a uma gestão profissional do portfólio, até de riscos, diversificação de carteira e acesso a ativos mais sofisticados”.

No caso de fundos tradicionais, a diversificação promovida pela equipe responsável pela aplicação do patrimônio é uma vantagem. É de se impressionar também a variedade de fundos, de todos os tipos, tamanhos e bolsos.

Em relação às desvantagens, o especialista em renda variável da Davos Investimentos destaca as taxas e os tributos, que “podem impactar até mesmo no rendimento do fundo”.

“Para remunerar os administradores e os gestores do fundo, cobra-se uma taxa de administração do investidor. Em alguns casos, também pode ter uma taxa de performance. O percentual é em cima dos rendimentos, cobrado somente se o fundo ultrapasse algum benchmark determinado”, salienta Boragini.

Por fim, vale citar que, por trás de toda a variedade dos fundos de investimento, há o sistema de come-cotas, uma desvantagem em relação ao ETF, que não conta com a taxa.

Quais são as vantagens e desvantagens dos ETFs?

Os ETFs tiveram crescimento histórico de 2020 para cá, oferecendo mais praticidade para investir por meio de plataformas a custos menores do que em fundos tradicionais.

Além disso, a volatilidade dos ativos durante a pandemia de Covid-19 levou investidores moderados e arrojados a migrarem para os ETFs, que tendem a ser mais estáveis. Também há a influência de quem busca fundos temáticos menos custosos, como o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE).

Em resumo, os ETFs possibilitam a diversificação de investimentos, são simples e têm um custo muito competitivo.

“O ETF tem aí uma certa facilidade para o investimento em renda variável. Ou seja, para quem está começando, o ETF é muito bom. Ele pode, sim, trazer uma maior rentabilidade quando comparado a um investimento em renda fixa”, salienta Marcelo Boragini.

O especialista lembra que, em vez de você aplicar em um único ativo diretamente, por meio do ETF, é possível investir em vários ativos ao mesmo tempo.

Além disso, vale citar que o acompanhamento dos dados sobre o patrimônio de um ETF pode ocorrer em tempo real na bolsa, enquanto os cotistas de fundos tradicionais dependem de relatórios mensais enviados pelas corretoras. Vale ressaltar que investidor pode entrar e sair ao longo do dia, pelo preço daquele momento.

Outra vantagem é que, especialmente nos ETFs de renda variável, o investidor ainda pode alugar essas cotas diretamente ou via o serviço de custódia remunerada oferecida por várias corretoras, para assim aumentar a rentabilidade final. 

Desvantagens das ETFs

Uma desvantagem em relação aos ETFs está na tributação, que não oferece isenção de IR para vendas de ativos inferiores a R$ 20 mil, o que ocorre com a venda ações até esse valor para a pessoa física (isenção válida por CPF e apenas para as operações comuns, ou seja, que não sejam de day trade).

“Com o ETF, não há imposto retido na fonte. O investidor faz o cálculo do tributo e paga o documento de arrecadação da Receita Federal, o famoso DARF. Então, o próprio investidor tem que recolher o Imposto de Renda. Talvez isso seja pouco mais desconfortável para aquele investidor que está começando agora. Mas nada desesperador”, analisa Boragini. 

Vale lembrar que nos ETFs de renda fixa o recolhimento do DARF não é necessário, uma vez que a própria corretora faz o recolhimento.

Além disso, esse tipo de investimento ainda é recente no Brasil – o primeiro ETF, o PIBB11, data de 2004. Sendo assim, menos difundido, sua liquidez de tela é menor. Mas fique atento: os ETFs em sua grande maioria, possuem formador de mercado que provem a liquidez, possibilitando ao investidor comprar e vender.

Quais são as taxas cobradas em um ETF e em um fundo?

Por terem a função de acompanhar os índices do mercado, ETFs têm gestão passiva, como mencionado. Sendo assim, a gestão de um ETF, menos complicada e mais barata, exige menos do gestor.

As taxas cobradas em um ETF são as seguintes:

  • Taxa de administração: remunera a gestão. A cobrança está embutida no valor das cotas;
  • Taxa de corretagem: valor pago para a corretora, mas algumas corretoras a isentam;
  • Taxa de custódia: cobre custos de operação pela guarda dos ativos; pode ser cobrada tanto pela bolsa quanto pela corretora;
  • Emolumentos: são cobrados pela bolsa quando os investidores compram e vendem ativos.

As taxas geralmente cobradas em fundos de investimento são as seguintes:

  • Taxa de administração: em fundos de gestão passiva, a taxa é de até 1%; nos ativos, chegam a 2%;
  • Taxa de performance: em fundos de renda variável, essa taxa remunera os gestores quando o lucro da gestão ativa supera um índice;
  • Taxas de entrada e saída: comuns em fundos de previdência, são taxas cobradas no momento do resgate dos valores, como forma de incentivo para que os investidores deixem o dinheiro no fundo por mais tempo. A taxa de entrada cobre os custos da corretora no momento do ingresso do investidor e a taxa de saída serve como penalidade pela retirada do dinheiro antes do momento ideal.

De quanto são os impostos sobre os ETFs?

Os ETFs estão sujeitos ao Imposto de Renda, de 15% sobre os ganhos, assim como é feito para o mercado de ações. A diferença está no fato de que não há isenção de IR para investidores que negociam valores menores do que R$ 20 mil por mês, benefício reservado aos acionistas .

O recolhimento do IR é feito na fonte para ETFs de renda fixa, mas a vida do investidor de ETFs de renda variável é um pouco mais complicada. Neste caso, o valor do imposto não é retido diretamente na fonte, ficando a cargo do investidor calcular o valor do imposto a ser pago e quitá-lo através do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) até o último dia útil do mês que segue a operação.

IOF não incide sobre os ETFs

Um ponto positivo é a isenção do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre os ETFs. Ou seja, para resgates feitos nos primeiros 30 dias de aplicação, não há cobrança alguma.

O IOF está presente nos demais fundos de investimento para resgates nos primeiros 30 dias, além da tributação fixa de 15% sobre o lucro contra outros fundos que seguem a tabela regressiva e que começa com 22,5% de imposto nos primeiros 6 meses.

IOF e IR em fundos tradicionais

Já para fundos de investimento tradicionais, além do IOF, é cobrado o IR pela tabela regressiva: 

  • 22,5% até 180 dias de aplicação; 
  • 20% de 180 a 360 dias de aplicação; 
  • 17,5% de 361 a 720 dias de aplicação;
  • 15% para mais de 720 dias de aplicação.