Casas Bahia (BAHIA3) ou Magazine Luiza (MGLU3): em qual empresa é melhor investir?

Nesse verdadeiro duelo de ações, veja qual delas é a recomendada pelos especialistas

O mercado de varejo no Brasil é uma verdadeira gangorra. Afinal de contas, em alguns momentos, as empresas estão em alta, batendo recordes de vendas, ações valorizadas. Já em outras situações, é o contrário, com companhias pedindo recuperação judicial, vendas em queda. Diante disso, hoje, a gente apresenta para você uma comparação sobre qual é a melhor varejista investir: Casas Bahia ou Magazine Luiza.

Para isso, contamos com a ajuda de Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos e Marcos Piellusch, professor da FIA Business School, que trouxeram seus pontos de vista sobre cada uma das empresas.

O primeiro semestre da Casas Bahia (BHIA3)

Então, antes de pontuarmos entre Casas Bahia ou Magazine Luiza, começamos falando um pouco da primeira varejista, que teve muitos desafios nesses seis meses do ano. “Isso porque, a Casas Bahia (BHIA3) está em um momento de reformulação no sentido de encolher as operações. Afinal de contas, a companhia vem fechando algumas lojas nos últimos meses”, comenta Gustavo Cruz.

Além disso, o especialista lembra que a Casas Bahia (BHIA3) passou por uma recuperação extrajudicial recentemente. E isso, de acordo com Cruz, pode dar algum alívio nas despesas financeiras da empresa. “Por outro lado, mais para frente, esse processo pode encarecer algum tipo de endividamento por conta desse histórico que ficou ruim”, afirma.

E ainda que os resultados do segundo trimestre não foram divulgados, o que só ocorrerá em 7 de agosto, no 1T24 a empresa obteve receitas de pouco mais de R$ 6,3 bilhões, ante R$ 7,3 bilhões no primeiro trimestre de 2023. “Quanto ao resultado líquido, a Casas Bahia (BHIA3) registrou um prejuízo de R$ 261 milhões. Embora essa perda tenha sido uma melhoria em relação ao prejuízo de R$ 297 milhões no mesmo período de 2023”, analisa Marcos Piellusch.

Imagem da fachada das Casas Bahia
Casas Bahia (BHIA3) passa por um momento de reestruturação

Aliás, vale saber que até o momento não há informações sobre o pagamento de dividendos pela empresa em 2024. Afinal, a companhia está focada em sua recuperação financeira, o que pode limitar a distribuição de dividendos aos acionistas. “Para se ter uma ideia, as ações da Casas Bahia (BHIA3) foram negociadas em 2 de julho desse ano com fechamento em R$ 5, mais ou menos”, comenta o professor.

O que esperar da BHIA3 para o segundo semestre

Piellusch acredita que os investidores podem esperar que nesses próximos seis meses de 2024 a Casas Bahia (BHIA3) continue focada em suas estratégias de recuperação financeira e reestruturação. “A empresa tem tomado medidas para melhorar suas operações e reverter os resultados desfavoráveis. Mas o cenário econômico geral e as condições de mercado continuarão a ser desafiadores”, pondera.

Vantagens e riscos de investir nas Casas Bahia (BHIA3)

Diante disso, de certo modo fica visível que os benefícios de investir na varejista incluem esse potencial de recuperação da empresa. Assim como as medidas de reestruturação em andamento e a possibilidade de valorização das ações. Isso, claro, se as iniciativas de recuperação forem bem-sucedidas.

“Já os riscos incluem aspectos presentes em muitas empresas varejistas do país, como a continuidade das dificuldades financeiras, a volatilidade das ações e a possibilidade de que as medidas de recuperação não sejam suficientes para estabilizar a empresa a longo prazo”, comenta o professor da FIA Business School.

E como foi o primeiro semestre do Magazine Luiza (MGLU3)?

E antes de partimos para saber se é melhor Casas Bahia ou Magazine Luiza, vamos mostrar como foram os primeiro seis meses desse ano para o Magalu. Segundo Piellusch, a varejista teve um desempenho misto. Isso porque, a empresa enfrentou desafios econômicos e de mercado, mas continuou a implementar suas estratégias de crescimento e digitalização.

“[Apesar dos resultados do segundo trimestre desse ano ainda não terem sido divulgados pela empresa], as receitas de vendas cresceram diante do ano anterior, atingindo R$ 9,2 bilhões nos primeiros três meses de 2024, contra cerca de R$ 9 bilhões no primeiro trimestre de 2023. O resultado líquido também passou por uma recuperação. Isso porque, no primeiro trimestre de 2023, a empresa tinha obtido prejuízo de R$ 391 milhões. Enquanto neste ano obteve resultado positivo, com um lucro de cerca de R$ 28 milhões nos três primeiros meses”, afirma o professor.

Imagem da fachada do Magazine Luiza
Com um primeiro semestre misto, o Magazine Luiza (MGLU3) teve alguns desafios econômicos, mas seguiu com os planos de crescimento e digitalização – (Foto: Divulgação)

E assim como as Casas Bahia (BHIA3), o Magazine Luiza (MGLU3) também não pagou dividendos esse período. Isso por conta do momento de recuperação financeira. “Mas vale saber que as ações do Magalu (MGLU3) foram negociadas em 2 de julho com fechamento em torno de R$ 12”, comenta Piellusch.

Leia a seguir

Leia a seguir

MGLU3: o que vem por aí no segundo semestre

Para os investidores, os próximos seis meses desse ano do Magazine Luiza (MGLU3) devem ser bastante dedicados à transformação digital da empresa e expansão de mercado. “A companhia deve focar em melhorar sua eficiência operacional e em aproveitar oportunidades de crescimento no comércio eletrônico”, afirma o professor.

Vantagens e riscos de investir no Magazine Luiza (MGLU3)

Então, além de ficar atento aos próximos passos da varejista, também é importante saber os prós e contras de investir no Magalu. “E as vantagens incluem a forte presença digital da empresa, a contínua inovação em seus serviços e produtos e o potencial de crescimento no mercado de e-commerce”, explica Piellusch.

Já os riscos incluem a alta competitividade do setor de varejo, a dependência do desempenho econômico geral e a volatilidade das ações. “E isso especialmente em um cenário macroeconômico incerto”, acrescenta o especialista.

Casas Bahia ou Magazine Luiza: em qual investir?

Deu para perceber que são vários pontos que precisam ser analisados antes de escolher qual empresa aplicar parte do seu dinheiro.

Por isso, a escolha entre Casas Bahia ou Magazine Luiza está diretamente relacionada com a propensão ao risco. “Em função do alto endividamento, as Casas Bahia (BHIA3) pode estar em um momento de maior exposição aos riscos. Mas isso pode ser uma oportunidade, pois a empresa tem capacidade de recuperação, e com isso, o investidor pode se beneficiar da valorização das ações”, argumenta o professor da FIA.

Do outro lado da ponta, está o Magazine Luiza (MGLU3), que tem menor endividamento. O que pode ser considerado como um aspecto favorável. Afinal de contas, isso reduz levemente a exposição aos riscos.

“A empresa também passa por um período de recuperação, podendo se beneficiar da valorização das ações”, acrescenta Piellusch.

Diante disso, em qual investir? Para Gustavo Cruz, da RB Investimentos, a preferência vai para o Magalu (MGLU3). “Até porque, as Casas Bahia (BHIA3) está em recuperação extrajudicial. Aí, nesse caso, não vale muito a pena [investir nos papéis dessa empresa]”, argumenta o profissional.

Ainda assim, é importante deixar claro que a decisão de compra de ações de qualquer empresa que seja deve ser totalmente sua. Faça uma análise minuciosa e identifique se os papéis da companhia fazem sentido para o seu perfil e momento de vida.