Investir no exterior: qual é o melhor benchmark?

Com o suporte de especialistas, nós te mostramos os caminhos para você aplicar parte do seu patrimônio no exterior

Quem disse que o seu dinheiro precisa ficar alocado somente no Brasil? Existem diversas opções de como investir no exterior e que merecem sua atenção. Mas, ainda assim, muitas pessoas ficam confusas na hora de investir no exterior. Como é o caso do Carlos, leitor aqui da Inteligência Financeira, que entrou em contato com a gente pedindo mais informações sobre como usar parte de seu dinheiro em investimentos fora do Brasil.

Diante disso, não poderíamos deixar de acatar um pedido da nossa audiência, não é mesmo? Então, com a ajuda de especialistas, reunimos um passo a passo de como aplicar uma parte do patrimônio no exterior, e mais: como ter um benchmark deste investimento.

Como investir no exterior?

Desse modo, antes de você dar um novo passo, é importante sempre ter em mente qual é o seu perfil de investidor, que, aliás, é também uma demanda dos reguladores tanto no Brasil quanto nos EUA.

“Entretanto, como as exigências regulatórias são diferentes, assim como as metodologias proprietárias das instituições (bancos e corretoras), é necessário preencher dois questionários, um local e um internacional, sendo que o perfil resultante pode divergir”, aponta Martin Iglesias, especialista líder em investimentos e alocação de ativos do Itaú Unibanco.

Em seguida, é hora de encontrar uma corretora de confiança que atue no mercado internacional. Com uma simples busca na internet é possível achar estas empresas.

Mas atenção: antes de contratar a corretora, procure informações sobre a idoneidade da empresa. Uma dica é verificar se a corretora possui registro na CVM e saber se a instituição tem o selo CETIP Certifica, que atesta a qualidade das instituições sobre suas aplicações de renda fixa.

Feito isto, é hora de abrir uma conta na corretora escolhida. Para isso, basta preencher um formulário com seus dados pessoais e financeiros. E assim que sua conta for aprovada, é só transferir dinheiro para começar a investir.

“Vale saber também que a documentação é necessária para aumentar o limite de câmbio. Afinal de contas, sem documentação, o cliente tem um limite de US$ 3 mil por ano. Já com documentação básica (comprovante de residência e documento de identidade), o limite é ampliado para US$ 120 mil anuais”, explica Juliana Benvenuto, coordenadora de conteúdo e treinamento da Avenue.

É hora de escolher os investimentos

Viu só como é tranquilo abrir uma conta para poder investir no exterior? O próximo passo, então, é selecionar os produtos que mais tenham relação com seus objetivos. Mas não é apenas isto.

É interessante também levar em consideração outros fatores, como a segurança, a liquidez e a rentabilidade do ativo financeiro escolhido.

“É importante entender que nenhum investimento oferece os três aspectos de forma simultânea. Para obter maior rentabilidade, muitas vezes, é necessário abrir mão da liquidez ou da segurança, ou até mesmo de ambos. Por outro lado, se busca segurança e liquidez, pode ser necessário abrir mão de uma rentabilidade mais atrativa”, esclarece Juliana.

Portanto, não existe um investimento “melhor” ou “pior” em sua totalidade. O que existe é o investimento mais adequado ao perfil e aos objetivos de cada pessoa.

Benchmark dos investimentos fora do país

E, para ajudar ainda mais na melhor escolha do ativo financeiro internacional, uma ótima ideia é realizar o chamado benchmark dos investimentos.

Mas, o que é benchmark?

“O benchmark de investimentos é uma referência utilizada para comparar o desempenho de um produto ou de uma carteira com um índice de mercado específico ou composições diversas. É como uma linha de base que nos ajuda a avaliar se os nossos investimentos estão indo bem em relação ao mercado em geral”, esclarece a coordenadora de treinamento.

Portanto, o benchmark fornece um ponto de comparação para avaliar o sucesso de uma estratégia de investimento. Além disso, geralmente este processo é representado por um índice de mercado, como o S&P 500 para ações nos Estados Unidos ou o Ibovespa no Brasil.

Há também o Russell 2000 para empresas de menor valor de mercado. Para empresas de tecnologia, usa-se o Nadasq. “Já o Dow Jones é também um índice importante, criado no século 19, mas pouco usado como benchmark. Quanto aos mercados fora dos EUA, usa-se o Eurostoxx 600 (para a Europa), MSCI Emerging Markets e o MSCI World”, fala Iglesias.

Nos EUA existem também muitos fundos considerados de “total return”, ou seja, que não são comparáveis a nenhum benchmark específico. Isso é muito comum na classe de Hedge Funds.

“Dessa forma, se um investimento obtiver um retorno superior ao benchmark, isso pode indicar que a estratégia está sendo bem-sucedida. Por outro lado, se o investimento ficar significativamente abaixo do benchmark, pode ser um sinal de que a estratégia precisa ser melhorada ou trocada”, diz Fabrício Gonçalvez, CEO da Box Asset.

Como superar o benchmark?

Esta é a pergunta de milhões, e os especialistas consultados pela IF dão a resposta agora mesmo. Então, avalie o desempenho histórico do produto em relação a um índice de referência relevante, como S&P 500 ou Ibovespa. “Se ele não superar consistentemente o índice, pode não ser uma opção rentável”, aponta o CEO.

Em seguida, compare o produto com outros similares em termos de classe de ativos, setor ou região geográfica. Leve em conta algumas vantagens competitivas, como taxas de juros mais baixas ou diversificação.

Analise o risco e a volatilidade, considerando a adequação para o seu perfil de investimento. “Verifique a reputação da instituição ou empresa que oferece o produto e pesquise sobre sua solidez financeira. Além disso, avalie as perspectivas futuras do produto, levando em conta fatores econômicos e tendências setoriais”, ensina Gonçalvez.

Outro ponto levantado por Juliana Benvenuto em relação ao benchmark dos investimentos envolve comparar seus ativos com a inflação. “Isso porque, considerar este índice ajuda a verificar se você está obtendo um ganho real, superando a taxa de inflação”, explica.

Atento aos sinais na hora de investir fora do Brasil

Além de focar em bater o benchmark, também é importante ficar atento a alguns indicativos que podem ajudar a entender se o investimento escolhido é interessante, ou não.

Portanto, vale ficar de olho nas seguintes características do produto:

  • Baixo desempenho histórico;
  • Baixa liquidez;
  • Volatilidade excessiva;
  • Governança corporativa questionável;
  • Alto nível de alavancagem;
  • Aspectos tributários desfavoráveis.

De acordo com Fabrício Gonçalvez, a liquidez afeta a capacidade de converter o ativo em dinheiro rapidamente, enquanto o desempenho financeiro e a governança corporativa refletem a saúde e a confiabilidade da empresa emissora do ativo. “Já a alavancagem excessiva aumenta o risco, e os aspectos tributários podem reduzir o retorno potencial”, esclarece.

Além disso, vale ressaltar que é necessário avaliar mais de um aspecto destes mencionados e que, mais uma vez, tudo vai depender dos objetivos e perfil de cada investidor.

Real, dólar ou euro?

Já outra dúvida que muitos investidores têm envolve a moeda que será utilizada na hora de realizar a aplicação.

“Quando se trata de investimentos internacionais, é comum que a conta do investidor exiba o valor na moeda do país de origem. No caso do Brasil, o real. No entanto, muitas corretoras também fornecem a opção de visualizar o valor convertido para outras moedas, como o dólar. Portanto, a forma como o câmbio é aplicado varia de acordo com cada situação.”, afirma Gonçalvez.

Impostos e taxas de investimentos fora do país

Partimos agora para aquela parte que ninguém gosta muito: o valor que será cobrado em impostos e taxas. Mas, ao contrário do que muita gente imagina, o imposto de renda para investimentos no exterior não é nenhum bicho de sete cabeças.

Atualmente, é cobrado o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) em duas situações e que gira em torno de:

  • 0,38% para a conta investimentos;
  • 1,1% para a conta bancária.

“Com relação aos investimentos, é cobrado imposto sobre dividendos, sobre ganho de capital e sobre os juros recebidos”, conta Juliana.

Atenção a MP 1.171

Em contrapartida, é bom lembrar que a partir de 2024, investidores brasileiros que possuem investimentos no exterior serão impactados por novas regras de tributação estabelecidas pela MP 1.171.

“Essas mudanças visam aumentar a arrecadação de recursos para o governo e trazem alterações significativas na forma como os impostos são cobrados nesses investimentos”, afirma Gonçalvez.

De acordo com a Medida Provisória, os ganhos provenientes de investimentos no exterior serão taxados em uma faixa que varia de 0% a 22,5%. No entanto, rendimentos de até R$ 6 mil anuais estarão isentos de taxação. “Contudo, é importante ressaltar que essa isenção se aplica aos rendimentos anuais, e não ao valor total investido”, alerta o CEO.

Desse modo, aqueles que obtiverem rendimentos entre R$ 6 mil e R$ 50 mil por ano serão tributados em uma taxa de 15%. Já para investimentos que ultrapassem o valor de R$ 50 mil anuais, a alíquota de imposto será de 22,5%.

“É essencial ter em mente que a tributação é calculada com base no valor de ganho total e não somente sobre o valor que excede o limite”, diz Gonçalvez.

O especialista ressalta também que a tributação internacional considerará a moeda utilizada nos investimentos. “Porém, mesmo investindo em outro país, se a aplicação for em real, a Receita Federal irá converter os ganhos para a moeda brasileira para fins de tributação”, afirma.

Partiu investir no exterior

Bem, agora que você já tem todo esse passo a passo de como aplicar parte do seu patrimônio fora do país, com direito ao benchmark dos investimentos, é hora de botar a mão na passa, ou melhor, nos produtos financeiros.

Estude, converse com especialistas e lembre-se sempre: escolha aqueles ativos que tenham relação com seu perfil e objetivo.