Como é possível investir de maneira sustentável e obter altos retornos financeiros?

Relatório do Itaú BBA traz dicas para quem deseja investir em ESG e apresenta as ações preferidas do banco que seguem o quesito

O tema ESG é promissor e o Brasil tem potencial para emergir como líder. Essa é a avaliação do Itaú BBA, em relatório assinado por Victor Natal. No documento, o estrategista do banco responde algumas das perguntas mais comuns sobre o setor. Entre elas: se é possível investir de maneira sustentável e obter altos retornos financeiros.

Além disso, Natal explica o que uma pessoa que deseja investir em ESG precisa ficar atenta ao analisar uma empresa. Assim como aponta elementos para identificar companhias que realmente praticam ESG em relação àquelas que fazem greenwashing.

Por último, o especialista do Itaú BBA elenca quais são as ações da carteira ESG do banco. E detalha como foi o processo de escolha de cada um dos papéis que compõem o portfólio.

Confira a seguir os principais trechos do relatório que aborda questões sobre investir de maneira sustentável.

Investir em ESG: o que levar em conta?

“Para todas as empresas ESG determinamos algo que se chama materialidade. Por exemplo, o desmatamento é importante para algumas empresas, mas para outras não. Para a B3, é um tema pouco relevante porque a empresa não está entre aquelas que mais provocam desmatamento.

Por outro lado, empresas do agronegócio precisam ter cuidado redobrado com desmatamento para evitar que seus plantações ou criações de animais invadam áreas de preservação.

Apesar de ser necessário olhar para a materialidade de cada empresa, há assuntos que são urgentes de maneira mais geral, como emissões de gases de efeito estufa, mudanças climáticas e aumento do nível dos oceanos.

No social, a diversidade domina as discussões atualmente. Já para governança, todas as pautas são vistas como relevantes. Assim, se a B3 não causar desmatamento, mas tiver pouca diversidade entre seus empregados, ela será mal avaliada – desmatamento não é algo material para a B3, mas diversidade sim.”

ESG x greenwashing

“Assim como acontece com informações econômico-financeiras das companhias, auditar as informações ESG fornecidas está entre as principais iniciativas para coibir o greenwashing.

Este crivo, dado por auditorias externas para as questões ESG, já existe hoje, mas são poucas as empresas brasileiras que a implementam.

Aqui cabe ressaltar que o termo greenwashing é algo mais amplo do que o nome faz acreditar. Ele é utilizado, de maneira geral, não apenas para questões relacionadas ao meio ambiente, mas também para qualquer informação imprecisa, errada ou que te leve a uma conclusão falsa em relação ao E, ao S e ao G.”

Retorno financeiro

“É possível investir de maneira sustentável e obter altos retornos financeiros? Essa é uma discussão que ainda não está pacificada, pois os estudos existentes trazem resultados discrepantes que não permitem uma conclusão clara.

Na prática, o mercado ainda tem dúvidas sobre o quanto o investimento que considera sustentabilidade adiciona de retorno sobre os investimentos que não o fazem.

Isso posto, a maior parte dos estudos ainda aponta que incluir critérios de sustentabilidade na avaliação das oportunidades de investimento adiciona retorno extra.

Nesse sentido, a Universidade de Nova York fez um meta-estudo (ou seja, um estudo sobre estudos já feitos sobre investimento ESG) sobre se o ESG dá retorno. A equipe constatou que em 60% dos mais de 1.500 estudos analisados, o ESG gera retorno.

E quando olhamos para mudanças climáticas, o valor é ainda maior, com 65% dos estudos indicando performances superiores. Além disso, quando olhamos para índices de ações que têm um índice ESG semelhante, percebemos que, normalmente, o índice ESG tem retorno maior em janelas de longo prazo.

Como exemplo, veja o desempenho de um índice de ações brasileiras ante seu comparável ESG.”

Foto: Reprodução/Itaú BBA

Quando rende

“O Itaú produziu um estudo, usando dados da Anbima, que aponta que a rentabilidade de fundos ESG de ações no Brasil tem performance maior do que a indústria como um todo.

No gráfico (abaixo), IS Equity Funds são fundos que tem o objetivo exclusivo de investir em sustentabilidade, enquanto o ESG-Linked funds são fundos que integram avaliação ESG no seu processo de investimento, mas não se limitam exclusivamente a investimentos sustentáveis.

Foto: Reprodução/Itaú BBA

Considerando o período de abril de 2022 (momento da criação do primeiro fundo IS) até abril de 2024, a indústria consolidada de fundos de ações brasileiros rendeu 9,4%.

Enquanto os fundos que integram ESG subiram 15% e os fundos que fazem apenas investimentos sustentáveis entregaram 21% de rentabilidade.

Apesar de promissor, é importante ressaltar que o resultado acima retrata uma janela de investimento ainda curta, sendo que a maior parte dos estudos que suportam o uso de métricas ESG focam em janelas de longo prazo.”

A carteira ESG do Itaú BBA

“Dividimos a avaliação em duas partes: uma avaliação ESG e outra financeira. Para a nossa carteira, começamos a avaliar as empresas pela questão ESG, selecionando tanto as ações das melhores empresas nos quesitos ESG, como também aquelas que estão evoluindo numa velocidade maior do que a média.

Depois de selecionadas pelo prisma do ESG, avaliamos as empresas do ponto de vista operacional e financeiro, combinando a opinião do nosso time de especialistas setoriais com a opinião do time de macroeconomia.

Nossa carteira tem 10 ações, todas elas com o mesmo peso, e é uma carteira de longo prazo. Assim sendo, temos menos trocas na Carteira ESG quando a comparamos com nossas outras carteiras, acontecendo, em média, uma vez a cada seis meses.

Atualmente a composição da Carteira ESG é: Rumo, 3tentos, Banco do Brasil, B3, Renner, Cosan, Totvs, Localiza, CPFL e Engie.”

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