Bitcoin e ether caem e aumenta a expectativa por ‘payroll’

A expectativa mediana dos economistas é de que a economia americana tenha criado 238 mil novas vagas em março, e que a taxa de desemprego no país seja de 3,6%

O bitcoin (BTC) e o ether (ETH) registram perdas nesta quinta-feira (6) antes do feriado da Sexta-Feira Santa. No radar, novos movimentos regulatórios globalmente preocupam os investidores, mas os dados semanais de pedidos por seguro-desemprego nos Estados Unidos vieram acima do esperado, o que reforça apostas de que o Federal Reserve deverá manter os juros do país no patamar atual.

Perto das 17h06 (horário de Brasília) o bitcoin cai 0,6% em 24 horas, cotado a US$ 28.061 e o ether, moeda digital da rede ethereum, tem queda de 1,8% a US$ 1.874, conforme dados do CoinGecko. O valor de mercado somado de todas as criptomoedas do mundo é de US$ 1,23 trilhão. Em reais, o bitcoin tem perdas de 0,44% a R$ 142.658, enquanto o ether recua 1,57% a R$ 9.532, de acordo com valores fornecidos pelo MB.

Em Wall Street, o índice Dow Jones teve leve variação positiva de 0,01% a 33.485 pontos, o S&P 500 teve alta de 0,36% a 4.105 pontos e o Nasdaq, focado em empresas de tecnologia, avançou 0,76% a 12.088 pontos.

O Departamento do Trabalho dos EUA revelou na quinta-feira que os pedidos por seguro-desemprego caíram de 246 mil para 228 mil na semana passada, o que ainda assim é um número muito superior ao esperado pelos economistas do mercado. A mediana das projeções apontava para 200 mil requisições do benefício na semana passada.

Com isso, fica ainda mais importante acompanhar hoje a divulgação do Relatório de Emprego de março. A expectativa mediana dos economistas é de que a economia americana tenha criado 238 mil novas vagas em março, e que a taxa de desemprego no país seja de 3,6%. Valores abaixo disso podem sacramentar as apostas de que não há mais espaço para elevar os juros nos EUA.

Do lado regulatório, a notícia do dia foi o cancelamento da licença da Binance Australia para oferecimento de derivativos tais quais contratos futuros. Embora o movimento já fosse esperado, ele vem na esteira da notícia de que a CFTC, o regulador dos Estados Unidos, também está processando a Binance por supostamente promover e negociar ativos mobiliários não registrados.

Em nota, a Binance afirma que foi a própria empresa que solicitou o cancelamento da licença e que continuará ofertando produtos e serviços à vista no país. “Há um pequeno número de usuários remanescentes na Binance Australia Derivatives, aproximadamente 100, e entramos em contato para notificá-los sobre o processo de encerramento”, informou a corretora.

Segundo Thiago Rigo, analista da Titanium Asset, o cancelamento da licença da Binance não é o fim da linha, pois a ASIC, órgão regulador do mercado australiano, já se posicionou de maneira favorável a um arcabouço regulatório nacional para a operação de empresas no setor de criptoativos. “A principal questão para o regulador é a separação entre clientes institucionais e de varejo enquanto clientes da corretora. Caso a Binance mostre um plano para se adequar a esses critérios é possível que ela volte a operar”, avalia.

Em Cingapura, o banco central do país anunciou que deve introduzir novas regras ao sistema bancário, otimizando a abertura de contas de clientes institucionais. “O Banco Central de Cingapura, o MAS, já anunciou que não há novas regras no sentido de impedir os bancos de operarem com clientes cripto”, ressalta Rigo.

Ainda no ambiente regulatório, Rony Szuster, analista do MB, conta que o banco estatal suíço PostFinance iniciou a oferta de compra e venda de criptomoedas a clientes após fazer parceria com o Sygnum Bank. O banco estatal tem 2,5 milhões de clientes e começará a iniciativa liberando o acesso a bitcoin e ether, com mais tokens a serem adicionados com o tempo.

“A Suíça marcha em ritmo acelerado e contrasta fortemente com lugares como os EUA, onde um esforço conjunto para erradicar as criptomoedas parece ser o objetivo final. O Sygnum, focado em cripto, e que obteve uma licença bancária dos reguladores suíços há cerca de quatro anos, atende a uma variedade de instituições, incluindo bancos cantonais e privados”, explica o analista do MB.

Já na frente corporativa, o marketplace focado na venda de Tokens Não Fungíveis (NFTs), OpenSea, lançou a plataforma OpenSea Pro de olho nos traders profissionais de NFTs em uma tentativa de conter o avanço de seu concorrente, o marketplace de NFTs Blur.

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