Shopee fecha acordo para vender produtos de GPA, Dia e Oba

A entrega das mercadorias será feita pela própria plataforma, por meio de seus transportadores logísticos

A Shopee começa a vender, a partir desta terça-feira (6), produtos de grandes supermercadistas, inclusive perecíveis, numa tentativa de ampliar tráfego de clientes e recorrência na compra em sua plataforma no país. O movimento acontece num período em que ações comerciais de concorrentes no digital dão sinais de ter perdido certo fôlego, em comparação com a agressividade vista na categoria de alimentos em 2020 e parte de 2021.

Acordos foram fechados com o GPA (bandeira Pão de Açúcar), Dia e Oba Hortifruti, que integram esse primeiro lote inicial de redes parceiras do grupo. A entrega das mercadorias será feita pela própria plataforma, por meio de seus transportadores logísticos, mas ela não detalha prazos ou a sua estratégia de logística e distribuição.

A empresa tem ampliado o número de centros de distribuição e pontos de armazenagem rápida no país desde 2020, porém ainda estão em volume menor do que Mercado Livre Magazine Luiza e Americanas, líderes nesse mercado alimentar digital, atrás de Carrefour e GPA.

Essa questão tem peso porque é decisiva na hora da compra de itens de supermercados pela necessidade de entrega rápida. Além disso, se o frete cobrado for alto, ele desestimula a compra porque trata-se de uma cesta de baixo tíquete.

No Magazine Luiza, Americanas e Mercado Livre, o serviço de entrega de itens de mercado é feito também pelas companhias com intervalos de 15 minutos a alguns poucos dias (24 horas, em média, em São Paulo), a depender de cada empresa.

Sobre o assunto, Felipe Lima, responsável pela área de desenvolvimento de negócios na Shopee, afirma que os períodos de envio devem ser consultados pelos consumidores na plataforma e dependem da localização do consumidor e da loja. Mas ele destaca incentivos específicos, e iniciais, para motivar a venda.

Na data de hoje, os consumidores terão produtos com até 40% de desconto e cupons de R$ 20 e R$ 30 de redução no preço para compras acima de R$ 120 e R$ 200 respectivamente.

O foco da Shopee serão os itens de supermercado não perecíveis que incluem as categorias alimentos e bebidas, cuidados com a casa, itens para “pet” e de higiene pessoal, diz ele.

Desde 2020, quando passou a incluir vendedores brasileiros na plataforma, a Shopee comercializa determinadas mercadorias de lojistas de pequeno e médio porte, porém em volumes menos representativos do que outras categorias em que tem forte expressão, como moda e acessórios de tecnologia.

Na visão de Eduardo Terra, sócio-diretor da BTR Educação e Consultoria, a dúvida central é se o consumidor ampliará a cesta de compras com os apelos comerciais iniciais da empresa. De qualquer forma, ele vê uma lógica financeira na movimentação.

“Esse cliente que entra para fazer essa compra formará uma nova base de consumidores da Shopee, com novos dados que vão municiar a empresa, além da venda em si, obviamente. Para o GPA, é mais barato para ele fazer a venda na Shopee do que pelos sites de buscas, como Google, por conta do encarecimento da mídia, que afeta o custo de aquisição do cliente”, disse ele.

Nas plataformas, esse custo de aquisição envolve o gasto com marketing (chamado “CAC”), e se relaciona diretamente com o valor médio gasto no negócio (chamado LTV, ou “life time value”).

A meta das empresas é fazer com que o custo caia e os gastos de clientes subam ao longo do tempo para uma plataforma ser rentável — hoje, grandes plataformas têm prejuízos operacionais pelos altos gastos em logística e sistemas.

A Shopee no Brasil vem buscando reduzir perdas. O prejuízo (ajustado) antes de juros, impostos, amortização e depreciação por pedido no país foi de US$ 1,42 entre abril e junho. Já de janeiro a março, alcançou US$ 1,52. No terceiro trimestre, foi de US$ 1.

Nos últimos trimestres, relatórios de analistas apontam para uma queda no ritmo de downloadas dos “apps” de plataformas on-line em geral, e retração na venda ou recuo na taxa de crescimento dos marketplaces no país em 2022.

A Shopee, informou dias atrás, uma expansão de 225% nas vendas de julho a setembro no Brasil. No trimestre anterior, a alta alcançou 270% e de janeiro a março, não informou o desempenho.

Detalhes da parceria

Lima afirma que, por motivos estratégicos, não pode informa nome de outros lojistas com os quais estão negociando acordos.

Reforça ainda que as supermercadistas terão loja na área da “Shopee Oficial”, seção dedicada a grandes marcas. “Em alguns dias da semana, coleções diferentes estarão em destaque, com itens de lavanderia às segundas; mercearia às quartas e produtos para happy hour às sextas”, diz.

Ele citou alguns exemplos de lojas de grandes marcas da Shopee Oficial — além de Pão, Dia e Oba, estão Ambev, Heineken, Nestlé, Cacau Show, Unilever entre outras.

No mundo, a Shopee já vende produtos de limpeza, alimentos e bebidas não perecíveis disponíveis, mas há uma estratégia localizada em cada país em que atua.