Copom segura a Selic e sinaliza manutenção da taxa básica por ‘horizonte relevante’

Órgão sinalizou que se o juro ficar no nível atual "ao longo do horizonte relevante", a inflação do ano que vem diminuiria para 3,1%

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) sinalizou nesta quarta-feira (19) que manterá a taxa básica de juros em 10,5% até a expectativa de inflação para 2025 convergir para a meta.

De forma unânime os novo membros do órgão decidiram interromper o ciclo de cortes da Selic, após sete quedas consecutivas.

No comunicado após o anúncio, o colegiado frisou que seu cenário base é de inflação de 4% neste ano e de 3,4% em 2025.

Porém, se a Selic ficar no nível atual “ao longo do horizonte relevante” o órgão calcula que a inflação do ano que vem diminuiria para 3,1%.

“A política monetária deve se manter contracionista por tempo suficiente em patamar que consolide (…) o processo de desinflação (…) e a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”, diz trecho do documento.

A meta de inflação do Banco Central para 2025 é de 3%.

Consenso volta ao Copom

A unanimidade no Copom veio na esteira de preocupações do mercado com a previsibilidade da condução da política monetária.

Isso cresceu após uma dissensão do órgão na reunião anterior, em maio.

Na ocasião, cinco dos diretores, incluindo o presidente Roberto Campos Neto, votaram pelo corte de 0,25 ponto da taxa.

Enquanto isso, outros quatro membros do órgão, todos indicados pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, votaram por um corte maior, de 0,5 ponto.

Com a decisão desta quarta-feira, o grupo unificou o discurso em torno da necessidade de uma política monetária mais restritiva, contrária ao que vem pedindo Lula.

“Só temos uma coisa desajustada neste país: é o comportamento do Banco Central”, afirmou Lula em entrevista para a rádio CBN na véspera (18).

O mandato de Campos Neto termina em dezembro.

Economia mais forte do que o esperado

No comunicado, o Copom mencionou que “resiliência na atividade, elevação das projeções de inflação e expectativas desancoradas demandam maior cautela”.

Além disso, os diretores concordaram que os indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho apresentam dinamismo maior do que o esperado.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro avançou 0,8% no primeiro trimestre de 2024 sobre os três últimos meses de 2023, acima das expectativas.

Ademais, o país criou 1,7 milhão de vagas de emprego com carteira assinada em 12 meses até abril, acima do esperado pelo mercado.

O Copom ainda citou os riscos de “persistência das pressões inflacionárias globais”, com incertezas sobre a política monetária nos Estados Unidos.

Por fim, o comunicado ainda citou os “desenvolvimentos recentes da política fiscal” no Brasil.

Em abril, o governo mudou a meta fiscal para 2025, de superávit de 0,5% do PIB para déficit zero, o que desagradou o mercado.

“O Comitê reafirma que uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida contribui para a ancoragem das expectativas de inflação”, afirmou o Copom.

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