Bolsonaro presta depoimento nesta quarta sobre o caso das joias

Para a Polícia Federal, há indícios de que o ex-presidente atuou para ter acesso às joias retidas no aeroporto de Guarulhos

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) presta depoimento à Polícia Federal nesta quarta-feira (5), às 14h30, sobre o caso das joias enviadas pela Arábia Saudita a ele e à ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, mas que ficaram retidas no aeroporto de Guarulhos por não terem sido declaradas à Receita Federal.

Além do ex-presidente, a PF também vai ouvir outras nove pessoas simultaneamente em salas diferentes na sede da PF, em Brasília.

Serão ouvidos, entre outros, o ajudante de ordens coronel Mauro Cid, assessores do antigo governo e fiscais da Receita Federal.

O objetivo da Polícia Federal é confrontar as informações de cada um dos depoentes e impedir que eles compartilhem estratégias de defesa.

Mauro Cid, por exemplo, é tido como homem de confiança de Bolsonaro, que não fazia nada sem instrução do ex-presidente.

Uma das pessoas que já foram ouvidas, o primeiro-sargento da Marinha Jairo Moreira da Silva, afirmou que foi a Guarulhos tentar reaver as joias a pedido do tenente Cleiton Henrique Holszchuk, assessor de Mauro Cid.

Outro que prestará depoimento é o coronel Marcelo Costa Câmara, apontado como operador de um gabinete paralelo de segurança e inteligência a serviço de Bolsonaro.

Para PF, há indícios de culpa do ex-presidente

Para agentes da PF, há indícios concretos de que o ex-presidente tenha atuado para ter acesso às joias, que foram detidas no aeroporto de Guarulhos.

Bolsonaro, porém, nega qualquer irregularidade. O kit de joias apreendido é avaliado em R$ 16,5 milhões e é composto por colar, anel, relógio e um par de brincos de diamantes.

À época, em outubro de 2021, um assessor do então ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque tentou entrar com as joias escondidas na mochila.

Há evidências de que, desde a apreensão, o ex-presidente tenha tentado resgatar as joias ao menos três vezes, por meio dos ministérios de Minas e Energia, Economia e Relações Exteriores. Também há relatos de que militares também tenham sido acionados.

A última tentativa teria ocorrido em 29 de dezembro do ano passado, quando faltavam dois dias para o término do mandato de presidente.

Logo em seguida, no dia 30, Bolsonaro viajou para os Estados Unidos, onde passou uma temporada de três meses. Quando o caso foi revelado, em 3 de março, o ex-presidente ainda estava em território norte-americano. Ele voltou ao Brasil no último dia 30.

Devolução das joias

Nesta terça-feira (4), a defesa do ex-presidente entregou à Caixa Econômica Federal um pacote de joias recebidas em 2019, durante viagem ao Qatar e à Arábia Saudita. Foram entregues peças como abotoaduras, anel e outros itens de ouro e diamante.

No fim de março, a defesa de Bolsonaro havia entregue à mesma agência da Caixa outro pacote de joias, com abotoaduras, uma caneta, um relógio, além de armas recebidas pelo ex-presidente.

Os itens foram avaliadas em R$ 500 mil e entraram no Brasil por uma comitiva do Ministério de Minas e energia, sem que fossem declaradas à Receita Federal, por isso, estão ilegais no país.

Já as armas entraram no Brasil em 2019, foram comunicadas à Receita e ao Exército para que fossem registradas.

A devolução desse primeiro conjunto de presentes havia sido determinada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Já as demais joias foram entregues por iniciativa da defesa do ex-presidente até que haja uma decisão final sobre o destino dos itens.

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