Nubank sobe 46% em cinco dias, mas tem recomendação rebaixada pelo BTG

Banco ajustou sua avaliação para a fintech de 'neutra' para 'venda', e o preço-alvo de US$ 10 para US$ 8,5

A ação do Nubank emendou uma sequência de ganhos nos últimos dias. Depois de tocar uma mínima recorde de US$ 6,75 em 28 de janeiro, nos últimos cinco pregões o papel acumula alta de 45,92%, fechando ontem a US$ 10,20. Até houve um alívio recente nos mercados em geral, mas a recuperação do Nubank supera de longe esse movimento.

Seja como for, o papel tem se mostrado bastante volátil. Por volta das 11h20, caía 8,63% no pré-mercado da Bolsa de Nova York.

Hoje, o BTG rebaixou sua recomendação para o banco de “neutra” para “venda”, e o preço-alvo de US$ 10 para US$ 8,5. Segundo os analistas, apesar do bom desempenho das ações dos bancos incumbentes até agora este ano, nas últimas semanas os investidores e agentes de mercado estão ficando cada vez mais preocupados com a deterioração do ciclo de crédito à frente, especialmente para empréstimos ao consumidor sem garantida.

“Com linhas de crédito emergenciais como cartões de crédito rotativo e cheque especial já retornando aos níveis pré-covid, juntamente com sinais recentes de deterioração da qualidade dos ativos nos resultados de alguns bancos, o ciclo de crédito pode de fato piorar”, diz o BTG.

O relatório aponta que, independentemente de quão bem a inadimplência de cartão de crédito do Nubank tenha se comportado nos últimos anos – em relação à média do sistema financeiro – o banco não está imune aos altos e baixos do ciclo de crédito. “Como 100% da carteira de empréstimos do Nubank não tem garantia (cartões de crédito e empréstimos pessoais) e sua base de clientes é mais jovem e de menor renda, parece muito improvável que o desafiante não sinta a pressão”.

Ainda assim, o BTG diz não acreditar que o Nubank esteja crescendo de maneira irresponsável. Os analistas relatam que o diretor-financeiro do banco disse em uma reunião recente que já está precificando/esperando uma deterioração na qualidade dos ativos, com a inadimplência talvez ainda mais alta do que o nível pré-pandemia. “Se as condições se deteriorarem ainda mais, acreditamos que a administração aceitaria ser mais conservadora na originação de crédito, como fez corretamente após a primeira onda de lockdowns que começou em março de 2020. Portanto, não acreditamos que o Nubank queira crescer a todo custo, como alguns agentes do mercado interpretaram os comentários recentes de David Vélez”.

(Com informações do Valor PRO, o serviço de notícias em tempo real do Valor Econômico)

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