Diretoria de relações com investidores era ponto inicial de fraude nas Americanas (AMER3), diz MPF

Manobras eram feitas em um arquivo denominado 'verdes e vermelhos', produzido pela diretoria de relações com investidores. Esse documento fazia parte do 'kit de fechamento' trimestral da empresa

O suposto esquema de fraudes contábeis na Americanas (AMER3) tinha como ponto inicial a diretoria de relações com investidores, conforme afirma o Ministério Público Federal (MPF). As investigações da promotoria apontam que os dirigentes da varejista manipulavam dados dos balanços trimestrais para ficarem próximos ao que era esperado do mercado.

Nesta quinta-feira, a Polícia Federal, junto com o MPF, iniciou uma operação contra o suposto esquema fraudulento que levou a um rombo de R$ 25,3 bilhões nas Americanas. O ex-CEO da empresa Miguel Gutierrez e a ex-presidente da B2W foram alvos de mandado de prisão nesta manhã, mas, como não estão no Brasil, não puderam ser presos. Ambos foram incluídos na lista de Difusão Vermelha da Interpol.

Outras 12 pessoas ligadas à companhia, entre executivos atuais e que já deixaram a varejista, foram alvos de busca e apreensão.

De acordo com o MPF, os investigados praticavam “manobras fraudulentas” para alterar os resultados reais da empresa. O objetivo, diz a procuradoria, era “receber vantagens indevidas com o pagamento de bônus por metas atingidas e elevar de forma ilícita a cotação das ações das Americanas S.A., pois, assim, gerariam ganhos financeiros não justificados, visto que alguns dos investigados tinham participação acionária nas empresas”.

As manobras eram feitas em um arquivo denominado “verdes e vermelhos”, produzido pela diretoria de relações com investidores. Esse documento fazia parte do “kit de fechamento” trimestral da empresa.

Em acordo de colaboração premiada, Flávia Carneiro Mota, responsável pela Controladoria da B2W e das Lojas Americanas, afirmou que no arquivo constava a expectativa de crescimento das Americanas por parte de analistas de mercado.

“Quando as expectativas não eram atingidas, a diretoria alterava os resultados ‘para não frustrar as expectativas do mercado’”, diz o MPF.

Ainda segundo a procuradoria, a suposta fraude já ocorria antes da fusão das Lojas Americanas com a B2W, e continuou após a união das companhias. O MPF ressalta ainda que a prática ilegal causou “grande prejuízo para os demais acionistas, principalmente aos minoritários, que, em razão da falsa saúde financeira das empresas, operavam transações acionárias com preços inflacionados”.

Com informações do Valor Econômico

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