Mercado repercute resultado fraco da Vale de olho no exterior

Índices futuros dos EUA operam com leve alta nesta sexta-feira, com investidores à espera do PCE de fevereiro, um dos indicadores de inflação monitorados de perto pelo banco central americano

O mercado repercute nesta sexta-feira (28) o fraco resultado da Vale (VALE3) entre maio e junho, divulgado na noite de quinta-feira. O balanço da empresa para o segundo trimestre do ano surpreendeu os analistas financeiros, que não esperavam um lucro nesse patamar.

A Vale registrou lucro líquido de US$ 892 milhões no segundo trimestre de 2023, número bem abaixo do consenso de mercado, que projetava US$ 2,15 bilhões. Em reais, o resultado foi de R$ 4,573 bilhões, contra R$ 20,221 bilhões no segundo trimestre de 2022.

A VALE3 é, ao lado da Petrobras (PETR3; PETR4), a ação de maior liquidez da B3, portanto, o Ibovespa deve sentir o golpe nesta sexta-feira. O desempenho fraco da Vale decorre, entre outros fatores, da queda da receita devido a menores preços de minério de ferro e níquel.

Desde março, quando o minério atingiu o pico de US$ 130 por tonelada, a cotação do insumo segue em queda livre e atualmente é negociada na cada dos US$110, com perspectiva de recuo nos próximos meses.

O Banco Goldman Sachs, por exemplo, estima que a commodity pode bater US$ 90 já no segundo trimestre, devido à contração do setor imobiliário na China e dos ventos contrários à indústria globalmente.

Os investidores irão acompanhar a conferência da empresa, prevista para esta sexta-feira, em busca de guidance para os próximos meses.

Desde março, quando o minério atingiu o pico de US$ 130 por tonelada, a cotação do insumo segue em queda livre e atualmente é negociada na cada dos US$ 110, com perspectiva de recuo nos próximos meses.

O Banco Goldman Sachs, por exemplo, estima que a commodity pode bater US$ 90 já no segundo trimestre, devido à contração do setor imobiliário na China e dos ventos contrários à indústria globalmente.

Os analistas de Metais & Mineração da XP veem um ambiente de custos pressionado e têm “expectativas mais baixas para os preços do minério de ferro no futuro próximo”, afirmam em nota Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano.

Agenda do dia

08h: Sondagem do Comércio e de Serviços de julho (Ibre-FGV)
08h: IGP-M de julho (Ibre-FGV)
09h: PNAD Contínua de junho (IBGE)
Balanços: Usiminas, Chevron, Exxon e P&G

EUA tem divulgação do deflator do consumo de fevereiro (PCE)

Em Wall Street, os índices futuros dos Estados Unidos operam com leve alta nesta sexta-feira (28). O mercado aguarda, às 9h30, o anúncio do deflator do consumo de fevereiro (PCE, em inglês), indicador de inflação favorito do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Economistas consultados pela Dow Jones esperam que o núcleo do PCE avance 0,2% em relação ao mês anterior e suba 4,2% na comparação com o ano anterior.

Bolsas da Ásia

As bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam sem direção única nesta sexta-feira (28), com a de Tóquio caindo após o Banco do Japão (BoJ) flexibilizar a política para controle dos juros dos bônus do governo japonês, os chamados JGBs, e outras avançando em meio a sinais de mais estímulos para o enfraquecido setor imobiliário chinês.

No começo da madrugada, o BoJ manteve a taxa de curto prazo para depósitos em -0,1% e a faixa de variação do juro do JGB de 10 anos no intervalo de -0,50% a +0,50%, mas ajustou sua política de controle da curva de juros do JGB para garantir “maior flexibilidade”. Posteriormente, em coletiva de imprensa, o presidente do BoJ, Kazuo Ueda, disse que a flexibilização não significa uma mudança na atual postura de relaxamento monetário.

Em Tóquio, o índice Nikkei caiu 0,40%, a 32.759,23 pontos, pressionado por ações de eletrônicos e do setor imobiliário, mas os papéis de grandes bancos saltaram à medida que o juro do JGB de 10 anos atingiu o maior nível desde 2014 durante a madrugada.

Mercado ontem

A bolsa brasileira terminou o pregão de quinta-feira (27) interrompendo a sequência de cinco altas consecutivas. Ao final do dia, o Ibovespa teve queda de 2,10%, aos 119.989 pontos, pressionado pelas baixas nas ações de Petrobras, Vale e do Bradesco.

O que pesou contra o principal índice da bolsa de valores hoje foram as quedas nas ações com maior liquidez  no Ibovespa: Vale e Petrobras. Os papéis ON (VALE3) registraram queda de 1,87% nesta quinta.

Na Petrobras, o pessimismo veio da divulgação da prévia operacional da empresa, que antecede o balanço consolidado da petroleira. As ações ordinárias da Petrobras (PETR3) e preferenciais (PETR4) caíram 5,69% e 5,23%, respectivamente.

A petroleira informou que fechou o segundo trimestre com produção média de óleo e gás de 2,603 milhões de boe, queda de 0,5% na comparação com o mesmo trimestre de 2022.

Bolsas de Nova York

As bolsas de Nova York encerraram o pregão em queda, pressionadas pela possível decisão do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) de aumentar o limite estipulado para a curva de juros do país. Antes, indicadores fortes nos EUA e o balanço positivo da Meta, dona do Facebook e Whatsapp, guiavam o mercado acionário em Wall Street.

O índice Dow Jones fechou em queda de 0,67%, terminando a sequência positiva que durou 13 pregões, a maior desde 1987. Já o S&P 500 recuou 0,64%, e o Nasdaq cedeu 0,55%.

As bolsas viraram para o negativo depois que o Nikkei Asia divulgou que o BoJ discutirá a ampliação do limite máximo estabelecido pelo seu instrumento de controle da curva de juros, cujo teto atual é de 0,5%.

Dólar

Na contramão da bolsa, o dólar teve alta de 0,65% e encerrou o dia de negociações valendo R$ 4,7587, recuperando-se das baixas do início da semana.