Em SP, gestora usa Inteligência Artificial para gerir carteira de R$ 7 bi alocada em 40 países

Fundos quânticos usam, basicamente, softwares para filtrar ativos em diversos mercados

Se hoje o pequeno investidor começa a testar a eficiência da inteligência artificial para definir ações ou mesmo conhecer os produtos financeiros, alguns investidores institucionais, responsáveis pela gestão de bilhões de reais, operam com programas similares há pelo menos uma década.

Eles são chamados pelo mercado de fundos quânticos e, basicamente, usam softwares para filtrar ativos em diversos mercados e automatizar ordens de compra e venda, que precisam ser distribuídas com cuidado ao longo do dia para não implicar na oscilação dos papeis.

Um exemplo desses fundos é o da Giant Steps, gestora paulista que movimenta R$ 7 bilhões e tem hoje uma carteira com 60 mil investidores.

Segundo Pedro Simonetti, que é sócio da empresa, eles usam tantos programas diferentes que não é possível sequer quantificá-los. “Alguns se interligam a outros, que geram outros, tornando-se uma rede gigantesca de programa”, conta o executivo.

Com esse sistema integrado, a Giant consegue operar ações, câmbio, juros e commodities em 40 países diferentes, do Brasil ao Japão, da China à Inglaterra.

“A gente tem 43 estratégias diferentes rodando em paralelo, no mundo tudo. Se você abrir a carteira do fundo, deve ter umas 60, 70 páginas de ativos. Colocamos dinheiro em tantas empresas que, muitas, eu não faço a menor ideia do que fazem”, diz.

Decisões estão nas mãos de humanos

Simonetti conta que, mesmo assim, tem apenas 20% do risco rodando exclusivamente nas mãos da inteligência artificial. Os 80% majoritários são liderados por humanos. “A inteligência me ajuda, é uma ferramenta, mas ela define pouca coisa”, explica.

Para explicar como é o uso dos robôs no dia a dia da empresa, ele explica que os usa em basicamente três abordagens. Em uma delas, lendo e interpretando os movimentos do mercado.

“Vou te dar um exemplo real. Sempre que uma empresa divulga os resultados financeiros, acontece uma entrevista em que o CEO faz um pronunciamento e, depois, o CFO responde às perguntas dos analistas de bancos e casas de análise. Nós compramos as transcrições de todas essas reuniões e entregamos para a inteligência financeira avaliar”, diz.

CEOs e CFOs são diferentes….

Simonetti conta que os seus robôs estão programados para entender que, dificilmente, o CEO vai falar mal da empresa e que, geralmente, o CFO, quando interpelado pelos analistas, será mais sincero. “Treinamos um algoritmo para buscar discrepâncias entre o discurso do CEO e do CFO e, ao encontrar essa diferença, a gente usa isso como insumo para montar uma posição e ganhar algum dinheiro no mercado”, explica.

Essa estratégia foi inaugurada há algum tempo entre todas as 500 empresas que integram o índice S&P 500. Deu certo e, agora, ela revira de cabeça para baixo as reuniões de empresas de toda a Europa, do Japão e da China.

“Essa é uma aplicação que não conseguiria fazer nunca com seres humanos. Temos 65 pessoas aqui dentro, se fosse trabalhar nesses mercados que atuamos, como atuamos, teríamos de ter mesas com 100 pessoas para cada um desses mercados. E na mesa do Japão, os 100 teriam de falar japonês”, diz.

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