Pérsio Arida: quem é e o que pensa economista cotado para ministério de Lula

Segundo ele, responsabilidades social e fiscal podem caminhar juntas

O economista Pérsio Arida é frequentemente lembrado por pertencer ao grupo formulador do plano Real. Ex-presidente do Banco Central e do BNDES na presidência de Fernando Henrique Cardoso, ele coordenou o programa econômico de Geraldo Alckmin nas eleições presidenciais de 2018. A partir de março deste ano, Arida se aproximou do presidente eleito Luiz Inacio Lula da Silva e do PT, por meio de Aloizio Mercadante, coordenador político de Lula e ex-colega de faculdade de Arida. Atualmente, Arida é um dos integrantes da equipe de transição na área econômica.

Carreira

Ele se formou no curso de economia pela Universidade de São Paulo (USP) em 1975. Mais tarde, em 1995, concluiu o doutorado na mesma área pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). No campo acadêmico, foi professor na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, além de dar aulas na USP. Antes de compor a equipe econômica do plano Real, trabalhou por sete anos no Grupo Moreira Salles, onde fez parte do conselho de administração do antigo Unibanco.

No setor privado, Arida foi diretor da asset do banco Opportunity e por oito anos membro do conselho de administração do Itaú. Ele também participou da criação do banco BTG, em 2008. Na instituição financeira, atuou como presidente do conselho de administração até 2016. Em 2017, Arida decidiu vender suas ações e sair do BTG para se dedicar a “projetos intelectuais”, segundo comunicado feito pelo banco na ocasião de sua saída.

O economista é reputado como um habilidoso gestor de conflitos, de visão pragmática e prática. Há poucos dias, em meio a discussão fiscal e o desafio de fazer caber no Orçamento da União as promessas de campanha do presidente eleito Luiza Inácio Lula da Silva, Arida afirmou que as responsabilidades social e fiscal podem caminhar juntas e não são excludentes.

Tripé de reformas para a economia crescer

Arida defende que para o Brasil ostentar taxas de crescimento mais robustas precisaria fazer três reformas: a administrativa do Estado, um processo mais agressivo de abertura comercial e a reforma tributária.

Ele afirmou há pouco mais de uma semana, durante conferência organizada pelo LIDE (Grupo de Líderes Empresariais), em Nova York, que uma reforma tributária sobre o consumo, envolvendo a criação de um tributo sobre valor agregado (IVA), pode ser aprovada num prazo de seis a oito meses.

“A reforma tributária já temos algum progresso de amadurecimento, abertura da economia ainda estamos muito longe de chegarmos ao que precisamos, e a reforma administrativa, a nível federal, ainda engatinha. Mas sem caminhar essas três reformas, dificilmente o Brasil conseguirá taxas de crescimento que lhe assegurem uma convergência de sua renda em relação aos países mais desenvolvidos em um período de 10 a 20 anos”, disse Arida na conferência do LIDE.

Diferentes governos tentaram, sem sucesso, fazer a reforma tributária nas últimas décadas, focados principalmente na tributação sobre o consumo. As propostas esbarraram em resistências de caráter regional, partidário e de diferentes setores produtivos, todos representados no Congresso.

Diretor do Centro de Cidadania Fiscal, o economista Bernard Appy acredita que uma reforma tributária tem potencial para elevar substancialmente o PIB do Brasil nas próximas décadas.

“O Brasil pode crescer aproximadamente 20% nos próximos 15 anos com uma boa reforma de tributação do consumo”, disse Appy à Inteligência Financeira.

União de carreiras e benefícios de servidores

Na reforma do Estado, o economista defendeu a realização de uma reforma administrativa que unifique carreiras e benefícios de servidores e que atribua salários diferenciados a quem trabalhe mais. Além disso, também apoia uma revisão periódica de gastos públicos, processo conhecido como “spending reviews” em outros países.

Integração comercial e no fluxo de capitais estrangeiros

Sobre a abertura comercial, Arida defende uma maior integração no comércio e no fluxo de capitais internacionais. “Não há economia que tenha se desenvolvido, no mundo das economias emergentes, sem ser uma economia aberta. O Brasil é uma economia fechada”, diz.

Arida defende que o país conclua o acordo do Mercosul com a União Europeia, que ingresse na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), como defende o atual ministro da Economia, Paulo Guedes, e que tome medidas para se integrar ao máximo na economia mundial.