Putin diz estar aberto ao diálogo, mas que interesses da Rússia não são negociáveis

Nas negociações que se arrastam há meses com o Ocidente, Putin exigiu que a Ucrânia não seja aceita na Otan
Pontos-chave:
  • Os governos dos Estados Unidos, de vários países da União Europeia (UE) e a Otan já rejeitaram as demandas feitas pela Rússia nas negociações

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quarta-feira que está pronto para buscar uma solução diplomática para a crise com a Ucrânia. No entanto, ele destacou que os interesses do país não são negociáveis.

“Nosso país está sempre aberto ao diálogo direto e honesto, à busca de soluções diplomáticas para os problemas mais complexos”, afirmou o líder russo em um vídeo para celebrar o feriado do Dia do Defensor da Pátria.

Depois de sinalizar a disposição ao diálogo, Putin acrescentou que os “interesses da Rússia, a segurança dos nossos cidadãos, não são negociáveis para nós”.

As declarações ocorrem depois de Putin reconhecer a independência de duas regiões separatistas no leste da Ucrânia e ter recebido aval do Parlamento russo para enviar o que Moscou chama de uma missão de “manutenção da paz” para as áreas.

Nas negociações que se arrastam há meses com o Ocidente, Putin exigiu que a Ucrânia não seja aceita na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O Kremlin também quer que a aliança militar se retire de países que integraram a antiga União Soviética.

Ontem, Putin também indicou que quer que a comunidade internacional reconheça que a península ucraniana da Crimeia, anexada por Moscou em 2014, é parte do território russo.

Os governos dos Estados Unidos, de vários países da União Europeia (UE) e a Otan já rejeitaram as demandas feitas pela Rússia nas negociações. Todos defendem a política de “portas abertas” da aliança militar e o direito da Ucrânia de aderir a qualquer organização que desejar.

Em resposta às mais recentes ações da Rússia, os EUA e seus aliados anunciaram ontem várias sanções econômicas contra Moscou. O presidente americano, Joe Biden, chamou os movimentos de Putin de “início” da invasão da Ucrânia, mas disse que ainda há tempo para evitar um conflito na região.

Com Valor Pro, serviço de informação em tempo real do Valor Econômico.