Petrobras cai quase 3% após Bolsonaro decidir demitir Silva e Luna

No exterior, ADRs cedem; queda do petróleo também prejudica papéis da empresa

As ações da Petrobras fecharam em queda nesta segunda-feira e contribuíram para o desempenho negativo do Ibovespa.

Os papéis já apresentavam baixa desde o início do dia, em linha com a queda do petróleo no exterior, mas o movimento se intensificou na reta final do pregão após o presidente Jair Bolsonaro decidir demitir o presidente da estatal, Joaquim Silva e Luna, em meio à pressão por conta do aumento no preço dos combustíveis.

O anúncio deve ser feito ainda hoje. A informação foi confirmada por fontes militares, ligadas ao próprio Silva e Luna, e por fontes do governo federal.

As ações ordinárias da empresa (PETR3, com direito a voto) cederam 2,63%, negociadas a R$ 34,08 e as preferenciais (PETR4, sem direito a voto) 2,17%, cotadas a R$ 31,60.

O Ibovespa cedeu 0,29%, aos 118.738 pontos.

No exterior, as ADRs (American Depositary Receipts) da Petrobras, que são recibos de ações negociados na Bolsa de Nova York, caem 3,47% no after hours, negociação que acontece após o fechamento do mercado.

A possível troca de comando da estatal influência o comportamento dos investidores, segundo analistas.

Os papéis estão sendo negociado a US$ 14,18. Desde o início do dia, as ADRs da Petrobras já vinham operando no negativo, também em linha com a queda do preço do petróleo. Mas o movimento ganhou força quando começaram circular informações de troca de comando na empresa.

O analista de Research da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman, destaca que, embora a decisão seja semelhante à tomada um ano atrás, quando Bolsonaro decidiu não reconduzir o então presidente Roberto Castello Branco ao cargo, os desdobramentos para as ações foram mais contidos.

“Isto acontece pela hora pela qual a notícia foi divulgada e pelo mercado já trabalhar a semanas com a possibilidade da mudança ser executada”, ressaltou Arbetman, em comentário.

Para o analista, a indicação de Pires não seria reconhecida pelo mercado como uma ruptura com “as transformações operacionais e financeiras que vem sendo executadas na companhia desde a metade da década passada”.

Bolsas no exterior

As bolsas americanas fecharam com altas, em um pregão marcado por forte volatilidade. O índice Dow Jones subiu 0,27% e o S&P, 0,71%. Em Nasdaq, ocorreu alta de 1,31%.

Na Europa, as bolsas fecharam com direções contrárias. A Bolsa de Londres cedeu 0,14% e a de Frankfurt subiu 0,78%. Em Paris, ocorreu alta de 0,54%.

As bolsas asiáticas fecharam com direções contrárias. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, caiu 0,73%. Em Hong Kong, houve alta de 1,31% e, na China, de 0,07%.