Lula: taxa de juros de 10,5% é irreal para uma inflação de 4%

Presidente disse a escolha do governo pela manutenção da meta de inflação em 3%, a ser perseguida agora de forma contínua, ocorreu porque 'a gente não quer brincar'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na manhã desta sexta-feira (28) que a atual taxa Selic, de 10,50% ao ano, é “irreal para uma inflação de 4%”. “Mas não sou do Conselho Monetário Nacional [CMN], não sou diretor do Banco Central. Isso vai melhorar quando puder indicar o presidente, que vai ao Senado, para construirmos uma nova filosofia”, disse o presidente.

Em entrevista à rádio FM O Tempo, Lula disse a escolha do governo pela manutenção da meta de inflação em 3%, a ser perseguida agora de forma contínua, ocorreu porque “a gente não quer brincar”.

“Mantivemos a meta porque a gente não quer brincar. Não brigo com a inflação porque vivi inflação de 80% ao mês”, respondeu o presidente da República. “Eu quero que a inflação não coma o salário do trabalhador.”

Ele voltou a repetir que, durante seus primeiros dois mandatos (2003-2010), tinha o direito de trocar o presidente do Banco Central quando quisesse, mas não o fez, à época, com Henrique Meirelles.

“Eu não tinha preocupação de ficar brigando com a taxa de juros. Eu sei que a taxa de juros é um instrumento para controlar a inflação, mas a inflação está controlada, está dentro da meta”, disse Lula na entrevista.

Segundo o presidente, a alta do dólar nas últimas semanas está acontecendo porque “tem especulação com derivativos para valorizar o dólar e desvalorizar o real”. “O Banco Central tem obrigação de investigar isso”, cobrou Lula.

Lula, por outro lado, disse que “o presidente da República não tem a função de ficar brigando com o presidente do BC”. “Mas eu acho que ele [Roberto Campos Neto] não está fazendo o que ele deve fazer corretamente”.

Lula ainda afirmou que o Brasil “tem um colchão de R$ 375 bilhões [de reservas internacionais] que nós fizemos”, montante que, de acordo com ele, serve para dar establidade à economia.

Com informações do Valor Econômico

Leia a seguir

Leia a seguir