Lula admite que Mercosul precisa se atualizar e sugere integração maior dos setores automotivo e açucareiro

Presidente da República também defendeu que a adesão da Bolívia ao Mercosul vai colocar o bloco como um 'ator incontornável no contexto da transição energética'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta segunda-feira, que o Mercosul precisa fazer um “esforço de atualização” para apontar em direções diferentes. Como exemplo, ele defendeu uma maior integração na região em dois setores econômicos: o automotivo e o açucareiro, que engloba a questão dos biocombustíveis.

“O Mercosul será o que quisermos que seja. Não nos cabe apequená-lo com propostas simplistas que o debilitam institucionalmente. Nossos esforços de atualização devem apontar para outra direção. Temos uma agenda inacabada, que envolve dois importantes setores de nossas economias excluídos do livre comércio. Os avanços para a inclusão do setor automotivo ainda são insuficientes. No setor açucareiro, que engloba o desenvolvimento dos biocombustíveis, não logramos sair das discussões teóricas. Precisamos de uma integração regional profunda”, disse Lula.

O presidente falou sobre o assunto durante discurso na abertura da cúpula do Mercosul, que acontece hoje, em Assunção, no Paraguai. No encontro, Lula também defendeu que a adesão da Bolívia ao Mercosul vai colocar o bloco como um “ator incontornável no contexto da transição energética”. Para o presidente brasileiro, isso significa que a América do Sul tem “tudo” para se tornar um “elo importante” na cadeia de semicondutores, baterias e painéis solares.

“A adesão plena da Bolívia tem enorme valor estratégico e faz do nosso bloco ator incontornável no contexto da transição energética. Somos ricos em recursos minerais e possuímos abundantes fontes de energia limpa e barata. Temos tudo para nos tornar um elo importante na cadeia de semicondutores, baterias e painéis solares. Podemos formar uma aliança de produtores de minerais críticos para que os benefícios do processamento desses recursos fiquem em nossos países”, explicou.

No discurso, o presidente mencionou também a crise climática que atingiu a Amazônia, o Pantanal e os Pampas, no Rio Grande do Sul. “A crise climática nos aproxima muito rapidamente de um cenário catastrófico. No último um ano e meio, vivemos secas históricas na Amazônia, nos Pampas e no Pantanal brasileiro e boliviano, que também padeceram com incêndios nos últimos dias. Há poucas semanas, o Rio Grande do Sul sofreu enormes perdas humanas e materiais com inundações sem precedentes, que também impactaram o Uruguai”, afirmou.

Neste sentido, o presidente fez um “chamamemto” que a região tenha mais “engajamento” e “ambição” na questão climática. “Além de agradecer a solidariedade de todos os sócios do Mercosul que ofereceram prontamente os mais diversos tipos de ajuda humanitária, quero fazer um chamado por maior engajamento e ambição climática. É muito oportuna a adesão do Mercosul, nesta cúpula, ao Memorando de Entendimento sobre cooperação em gestão integral de risco de desastres. Somos o continente com a maior floresta tropical e as maiores reservas de água doce do mundo”, explicou.

Sobre isso, Lula lembrou que a região sediará as COPs 16 e 30, na Colômbia e no Brasil. “Este ano, na COP-16, em Cáli, mostraremos também a magnitude da biodiversidade sul-americana. No próximo, o Brasil sediará COP 30, em Belém. Serão oportunidades para o Mercosul e a América do Sul apresentar uma visão coletiva sobre os desafios do desenvolvimento sustentável. Temos a autoridade moral para nos fazer ouvir e a responsabilidade histórica de liderar pelo exemplo”, argumentou Lula.

Por fim, o presidente lembrou que o Brasil ocupa, atualmente, a presidência do G20. E, por conta disso, pediu “apoio” dos países da região. “Já estamos na metade da presidência brasileira do G20. A lamentável reversão dos avanços no combate à pobreza e à fome dos últimos anos é uma preocupação compartilhada. Em duas semanas farei a apresentação da Aliança contra a Fome e a Pobreza no âmbito do Grupo [G20], que será aberta em breve a todos os países. Espero contar com o apoio de todos vocês como membros da aliança”, concluiu.

Com informações do Valor Econômico

Leia a seguir

Leia a seguir