Itaú agora projeta corte da Selic em agosto e taxa de juros a 12,25% no fim de 2023

Banco mudou previsão após ata do Copom; expectativa anterior indicava queda apenas em setembro

A ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) trouxe uma mudança significativa de tom em relação ao comunicado da semana passada, avalia o Itaú Unibanco.

Em relatório divulgado nesta terça-feira (27), assinado por Mario Mesquita (economista-chefe), o banco passou a projetar um corte da Selic já no encontro de agosto contra expectativa anterior de relaxamento do aperto monetário apenas em setembro.

“Se o comunicado indicava que o cenário base do comitê era iniciar a flexibilização na reunião de setembro, o texto divulgado hoje aponta claramente para uma flexibilização mais cedo, ou seja, na reunião de agosto”, anota o texto.

Para o Itaú, a ata traz alguns elementos com tom mais duro. “Como o aumento da estimativa de taxa neutra para 4,5% ao ano, de 4,0% ao ano (parágrafo 6), e uma frase alertando contra um ciclo de cortes prematuro (parágrafo 18).”

No entanto, o banco destaca que, no parágrafo 19, o texto da ata indica que “a maioria do comitê já vê condições, com inflação mais baixa e menor desvio de expectativas em relação à meta, que lhe dariam confiança para iniciar, com parcimônia, um ciclo de flexibilização na próxima reunião.”

“Apesar das ressalvas mais duras, considerando que a maioria prevalece e a mensagem explícita no referido parágrafo, mudamos nosso cenário para o restante do ano, de três cortes a partir de setembro (levando a taxa básica para 12,5% a.a. no final do ano), para quatro cortes”, diz o Itaú.

“Começando com uma redução de 0,25 ponto percentual em agosto, levando a Selic para 12,25% a.a. no final do ano – especificamente, dois cortes de 0,25 p.p. seguidos por duas reduções de 0,50 p.p.”, explica o banco.