Fenabrave: Com 471,6 mil unidades, venda de veículos cresce 16% no 1º tri em relação ao mesmo período de 2022

Resultado 'não reflete a realidade do mercado', diz dirigente, para quem a comparação mais correta seria com o primeiro trimestre de 2019, período anterior à pandemia, no caso, o resultado deste ano estaria em torno de 20% menor

As vendas de veículos em março e no primeiro trimestre revelam um expressivo crescimento na comparação com os mesmos períodos de 2022. Esses resultados, no entanto, não podem ser levados em conta porque a base de comparação é muito fraca, disse o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), Andreta Júnior.

Com 198,9 mil unidades, a venda de veículos cresceu 35,5% em março na comparação com o mesmo mês de 2022. Já no acumulado do ano, foram emplacados 471,6 mil carros, comerciais leves, caminhões e ônibus, segundo a entidade que representa as concessionárias de veículos do país. Isso representou um avanço de 16,3% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.

Segundo Andreta Júnior, o resultado “não reflete a realidade do mercado”. Para o dirigente, a comparação mais correta seria com o primeiro trimestre de 2019, período anterior à pandemia. No caso, o resultado deste ano estaria em torno de 20% mais baixo. “O cenário está mascarado pelo fraco crescimento do primeiro trimestre de 2022”, destacou.

A Fenabrave manteve as previsões apresentadas em janeiro: zero de crescimento do mercado de automóveis, comerciais leves e de caminhões e 5% de aumento nas vendas de ônibus. Andreta afirma que a entidade prefere aguardar o desempenho da economia e os mecanismos para manter o equilíbrio fiscal nos próximos meses para fazer previsões mais otimistas. Ele diz que espera fazer isso em julho. “Tudo depende das medidas do governo; na dúvida, todo o mundo se retrai”, destacou.

Embora reconheçam que taxas de juros e as restrições ao crédito sejam fatores que inibem as vendas de veículos, os representantes das concessionárias apoiam a posição do Banco Central, que tem mantido a taxa Selic em nível elevado. “O remédio é amargo. Mas o papel do Banco Central é manter o poder de compra da moeda e evitar a inflação”, destacou o diretor-executivo da Fenabrave, Marcelo Franciulli.

Uma das opções que têm sido discutidas no setor para estimular a recuperação das vendas gira em torno da possibilidade de um programa voltado à venda de carros mais baratos. Seria uma espécie de resgate do carro “popular”.

As discussões já envolvem a indústria. Andreta sugere um programa voltado a modelos mais acessíveis, com mais garantia de aprovação de crédito por meio de algum mecanismo como fundo garantidor.

“Não sei se vai se chamar carro popular ou de entrada. Os carros mudaram desde o Fusca e Uno Mille. Mas, para fazer o mercado girar precisamos de escala e isso não vamos conseguir com carros de R$ 300 mil ou R$ 500 mil”, disse.

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