Diogo Guillen, diretor do BC: ‘Meta de inflação precisa ter credibilidade’

Guillen afirmou também que decisões que reancorem expectativas são importantes

O diretor de política econômica do Banco Central (BC), Diogo Guillen, reiterou nesta terça-feira (28) que a meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) precisa ter “credibilidade” e que “decisões que reancorem as expectativas [de inflação] são importantes” em evento do Goldman Sachs Brasil. As avaliações já constavam na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), publicada mais cedo pelo BC.

“A gente não observa queda de crescimento econômico mais acentuado que o esperado nas expectativas. Segundo ponto do crédito é que há mudança de composição, especialmente entre pessoas físicas, saindo de [linhas de] baixo custo para alto custo. O efeito composição também leva a aumento de taxa de juros”, disse.

Guillen reforçou que, na ata, o BC chamou atenção para a separação de instrumentos para diferentes objetivos, de política monetária e de estabilidade financeira. “Se há fricção no mercado temos instrumentos macroprudenciais”, reforçou.

Segundo ele, o processo de subida de juros “mais tempestivo” aumenta a incerteza da defasagem do impacto no crédito. “Setembro parecia mais forte, tem um pouco dessa incerteza em relação ao crédito”, ponderou.

O diretor disse que a meta de inflação não é um instrumento de política monetária. “Instrumento de política monetária é a taxa de juros”, enfatizou.

“No regime de metas para inflação, você precisa ter uma meta crível”, ressaltou. Guillen disse, ainda, que o debate sobre as metas envolve aspectos que “não são conjunturais”.

“A gente procurou explicar o processo [na ata] que requer paciência e serenidade para avaliação das defasagens da política monetária”, pontuou.

O diretor disse que o canal principal do arcabouço fiscal na inflação é por meio das expectativas de agentes econômicos. “A desancoragem das expectativas é maior e mais persistente pelo fato de que começa a criar dinâmica mais difícil de desinflação”, disse.

Sobre o crédito, ele destacou que a desaceleração é esperada e faz parte da condução da política monetária. “A questão é se vai desacelerar mais do que é compatível”, afirmou.

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