Bitcoin valoriza quase 3% no mês e investidores se preparam para a decisão de juros do Fed

Enquanto a maior das criptomoedas, o bitcoin, subiu 3,8% nos últimos sete dias, o token da rede Ethereum tem baixa de 2,4% no período

O bitcoin (BTC) e o ether (ETH) operam em queda nesta sexta-feira (28) e apresentam desempenhos bastante diferentes no acumulado de sete dias. Enquanto a maior das criptomoedas sobe 3,8%, o token da rede Ethereum tem baixa de 2,4% no período. Nos últimos dias, informações como os rumores descartados de que o governo americano estaria vendendo bitcoins apreendidos da corretora Mt. Gox geraram forte volatilidade, assim como a postura regulatória agressiva assumida pela Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), mas nada disso apagou o bom desempenho das criptomoedas no mês. O bitcoin sobe 2,89% e o ether avança 3,95% desde 31 de março.

Na próxima semana, o destaque do lado macroeconômico é a decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, para a qual existe relativo consenso de elevação das taxas de 0,25 ponto percentual. O mais importante é captar as sinalizações sobre um fim do ciclo de aperto monetário tanto no comunicado da decisão quanto no discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. Caso sejam confirmados os prognósticos de que a autoridade vai parar de aumentar os juros, os ativos de risco do mercado financeiro como as criptomoedas tendem a se valorizar.

Perto das 17h46 (horário de Brasília) o bitcoin cai 0,8% em 24 horas, cotado a US$ 29.340 e o ether, moeda digital da rede ethereum, tem queda de 1,1% a US$ 1.896, conforme dados do CoinGecko. O valor de mercado somado de todas as criptomoedas do mundo é de US$ 1,25 trilhão. Em reais, o bitcoin se desvaloriza em 0,48% a R$ 147.391, enquanto o ether registra perdas de 1% a R$ 9.516, de acordo com valores fornecidos pelo MB.

Em Wall Street, o índice Dow Jones subiu 0,8% a 34.098 pontos, o S&P 500 registrou alta de 0,83% a 4.169 pontos e o Nasdaq, focado em empresas de tecnologia, avançou 0,69% a 12.227 pontos.

Uma das notícias que têm movimentado o mercado é a crise do First Republic Bank, que reportou uma queda de 40% nos seus depósitos no primeiro trimestre e viu suas ações derreterem na Bolsa de Nova York. O Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC, um órgão garantidor de crédito dos EUA) deve assumir o controle dos ativos do banco como fez com o Silicon Valley Bank (SVB) e o Signature Bank em março.

Segundo Antonio Bertuccio, head de estratégias da iVi Technologies, a crise bancária fortaleceu no mês passado a narrativa do bitcoin como reserva de valor e refúgio dos investidores em caso de uma crise no setor financeiro tradicional, visão que pode retornar agora. “A notícia deu mais combustível para a narrativa de caso de uso cripto: proteção cambial e anti-desvalorização frente ao aumento da base monetária”, avalia. Para Bertuccio, o bitcoin deve continuar se fortalecendo com essas narrativas ao longo das próximas semanas e meses, tendo em vista que a inflação parece estar mais controlada nos EUA e espera-se uma parada nos aumentos das taxas de juros na maior economia do mundo.

Já acerca do imbróglio regulatório nos EUA, Lucca Benedetti, analista do MB, afirma ter bastante interesse em observar o desenrolar da disputa de ações judiciais entre a corretora Coinbase e a SEC. “A exchange entrou com processo nos EUA exigindo que a SEC responda a um pedido feito no ano passado em relação a estabelecer regras mais claras sobre o mercado de criptoativos dos EUA. A SEC tem se omitido a dar essa resposta. Será interessante ver a evolução deste processo”, comenta.

Durante esta semana, a Coinbase disse que seria “um adversário com bons recursos e que necessariamente será motivado a esgotar todos os caminhos” caso seja processada pela SEC por comercializar ativos mobiliários sem registro.

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