Banco Mundial e BID pretendem lançar ‘bond amazônico’ no 2º semestre

Objetivo é levar recursos, empréstimos ou doações, para melhorar as cidades e a qualidade de vida dos moradores, ao mesmo tempo em que incentiva o desenvolvimento da bioeconomia local

A Amazônia está no centro de uma série de frentes de trabalho do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), concentradas em uma plataforma de iniciativas chamada Amazon Forever, lançada em meados do ano passado. O objetivo é levar recursos, empréstimos ou doações, para melhorar as cidades e a qualidade de vida dos moradores, ao mesmo tempo em que incentiva o desenvolvimento da bioeconomia local.

Para isso, em parceria com o Banco Mundial, o BID está desenvolvendo um título de dívida corporativa (Bond) específico para captar recursos para a região, que, por ora, está sendo chamado de “Amazon Bond”, ou bond amazônico.

A ideia, segundo Ilan Goldfajn, presidente do BID, é criar uma estrutura que seja semelhante aos “green bonds” e “social bonds” que já existem hoje, mas que direcione recursos exclusivamente para os países amazônicos e que sejam canalizados em linhas específicas de investimentos para o desenvolvimento local. Com um instrumento específico, também é possível, diz, ajustar as condições de retorno (taxa de juros) e de gestão de riscos características do local.

“O bond da Amazônia está em fase de construção junto com o banco mundial. Estamos na fase de definição da taxonomia, definição de para onde vão os recursos, como será a emissão e sua colocação no mercado e também seu uso”, explica o executivo sem entrar em detalhes.

Sobre o prazo, Goldfajn diz que “está encomendado” para todos os parâmetros de como funcionará ficarem prontos ainda este ano, no segundo semestre.

“A equipe prometeu para o segundo semestre os bonds amazônicos. Enquanto isso, vamos continuar testando o apetite do mercado para os instrumentos que já existem”, diz, citando “green bonds”, “social bonds”, “sustainability-linked bonds” e títulos sustentáveis como papéis que hoje já são usados para levantar recursos para investir em ESG.

O presidente do BID esteve terça e quarta-feiras em Manaus (AM) para participar da Semana de Sustentabilidade promovida pela sua unidade de serviços para o setor privado, o BID Invest.

Foi também esta semana que aconteceu a primeira reunião dos membros da Rede Financeira Amazônica (AFN), criada na última Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 28), em Dubai, com o objetivo de reunir instituições financeiras e participantes do setor financeiro para acelerar o fluxo de recursos para a região, vista como chave para amenizar o aquecimento do planeta.

A iniciativa, parceria do BID Invest e da IFC, unidade de investimento privado do Grupo Banco Mundial, também busca promover a inclusão financeira, compartilhar conhecimento sobre soluções financeiras inovadoras e gerar sinergias com o setor público. A Rede Financeira da Amazônia faz parte do Programa Amazônia Para Sempre (Amazon Forever) do BID.

Durante a coletiva de imprensa, James Scriven, CEO do BID Invest anunciou que 22 novas entidades latinas e caribenhas se associaram à Rede nos últimos meses, tais como Citi, Impact Earth, KPTL, ov Investimentos, Omni, Patria Investments, StoneCo, Visa, Bemol, Caja Los Andes e outros. Com isso, o número de participantes praticamente dobrou – agora, o grupo soma 46 membros.

Na primeira reunião de trabalho, a Rede lançou uma iniciativa chamada “Tambaqui Tanque”, que visa financiamento de projetos-piloto que promovam investimentos sustentáveis na região amazônica.

O nome Tambaqui Tanque é uma referência a um peixe comumentemente encontrado nos rios amazônicos, o tambaqui, e um trocadilho com “Shark Tank”, reality show em que grandes investidores avaliam “pitches” de empreendedores e decidem se investem ou não em seus projetos.

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“Em dois dias, recebemos 30 propostas de pessoas de sete países que têm Floresta Amazônica. Agora a rede vai avaliar quais serão financiadas. O impacto potencial desses projetos inclui mais de 2,1 milhões de potenciais beneficiários diretos, 1,2 milhões de hectares de terras reflorestadas e conservadas e 6 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono (CO2) sequestradas até 2030”, explica o executivo do BID Invest.

Ele cita que as propostas envolvem, por exemplo, soluções em inclusão financeira, pequenas e médias empresas, agronegócio e silvicultura, financiamento de carbono, financiamento inovador e design de produtos, divulgação e parcerias, e parcerias público-privadas.

“Não há um tipo de projeto ou um tamanho de empresa e projeto que vamos analisar. Estamos abertos a avaliar de qualquer tipo e de qualquer tamanho”, detalha. Também não há, por ora, volume financeiro determinado para ser dedicado à iniciativa.

“Começa neste evento, mas vamos encontrar uma maneira de o processo ser mais fluido e queremos que seja maior. Vamos anunciar formas de receber propostas no futuro”, pontua Scriven.

Os projetos selecionados nesta primeira edição farão parte um programa de aceleração por um ano com a Amazonia Finance Network, período que receberão capacitação, recursos e financiamento que os impulsionarão a alcançar a escala necessária para gerar um impacto significativo em toda a região amazônica. “Queremos incentivar a escala e o impacto”, resume Scriven.

Com informações do Valor Econômico