Mercado hoje: Ibovespa fecha em queda pressionado por commodities e bancos

Dia não foi favorável para tomada de risco e a queda foi generalizada

A sexta-feira foi ruim para o mercado acionário brasileiro, que observou uma queda em quase todos os seus setores, especialmente no bancário e os de empresas ligadas às commodities.

O Ibovespa – principal índice da B3 – fechou a sexta em queda de 1,63% (pós-ajuste) a 112,3 mil pontos, enquanto o dólar avançou 0,70%, para R$ 5,11. Na semana, a divisa americana perdeu 2% de valor e chegou a testar o fundo de R$ 5, enquanto na bolsa, o saldo semanal foi positivo em 0,25%.

As ações dos bancos são as mais sensíveis à crise da Americanas (AMER3), e em um dia de vendas foram as mais penalizadas. Petrobras também perdeu na sessão, pressionada pela cotação do barril de petróleo no exterior, que fechou a semana em queda de 2%, a US$ 86,66.

Ontem, Jean Paul Prates, ex-senador pelo PT do Rio Grande do Norte, foi aprovado pelo conselho de administração para ser o novo presidente da petrolífera. Alguns agentes do mercado tentam traçar uma relação de causalidade entre os fatos. Mas Prates já era cotado para o cargo desde o início do governo, e de lá para cá, o papel teve ganhos de mais de 15%.

Outros setores também experimentaram grandes perdas, como os frigoríficos. Até mesmo a Cielo, que apresentou resultados positivos em seu balanço, foi castigada pelos investidores.

Vida real

Enquanto o mercado faz seu movimento de realização de ganhos, no Brasil, as taxas de pobreza atingiram em 2021 seu maior nível em nove anos, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a pobreza saltou de 12,9% em 2012 para 15,7% em 2021.

Exterior

No cenário externo, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos informou que o índice de preços de gastos com consumo (PCE) subiu 0,1% em dezembro, perante o mês anterior, e 5% na base anual.

O CME Group indica, com base nos futuros dos Fed Funds, que as apostas do mercado para a decisão do Federal Reserve (Fed, banco central americano) na semana que vem continuam sendo, em sua ampla maioria, de alta de 0,25 ponto porcentual.

Política

No campo político, a entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao Valor esteve no radar. Ele disse que a reforma tributária será “neutra”, mantendo a carga de impostos no nível atual.

Para Haddad, a reforma e a aprovação do novo arcabouço fiscal, prevista para a abril, reduzirão as pressões inflacionárias e facilitarão a condução da taxa Selic pelo Banco Central.

Semana que entra

A próxima semana será rica de eventos importantes. O investidor precisa estar atento. Serão quatro decisões de política monetária ao redor do mundo, Brasil e Estados Unidos na quarta, Reino Unido e União Europeia na quinta. Além disso, haverá relatório de empregos dos EUA, o Payroll, e divulgação de balanços de várias big techs.