Americanas fecha em alta de 20,83%, a R$ 1,45, entre as maiores altas do mercado

Em janeiro, os papéis caíram 83,42%, em meio a descoberta de ‘inconsistências” contábeis, dívidas em torno de R$ 43 bilhões

Entre as maiores altas do mercado, as ações da Americanas fecharam o pregão com avanço de 20,83%, cotadas a R$ 1,45, recompondo parte das perdas acumuladas do mês. Em janeiro, os papéis caíram 85,08%, em meio a descoberta de “inconsistências” contábeis, dívidas em torno de R$ 43 bilhões, o pedido de recuperação judicial da companhia e embates com credores.

As ações tiveram volume financeiro de R$ 298,2 milhões, 1,67 vez o registrado na última sexta-feira (27), quando obteve R$ 111,5 milhões.

O Valor mostrou, também na sexta, que os acionistas de referência da varejista – Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira – teriam grupos de investidores e bancos muito próximos a eles não afetados pela atual crise. A ideia seria montar um fundo de crédito com os recebíveis da empresa. Segundo a pessoa a par da discussão, há uma discussão, mas ainda não está claro um apoio de investidores a essa ideia.

Nessa operação, o banco ficaria com as contas a receber de cartões de crédito e anteciparia os recursos à Americanas. O banco receberia no fluxo do pagamento dos cartões, com desconto em cima do montante antecipado.

Na avaliação da analista da MyCap Julia Monteiro, como as ações da empresa caíram muito, há uma abertura e espaço para a compra do papel. “Passado o pânico, há o entendimento de que os três principais acionistas podem ajudar”, diz.

Em meio à batalha na Justiça que já incluiu ações para responsabilizar o trio de principais acionistas da Americanas, os bancos credores da varejista já avaliam os próximos passos, o que pode incluir ações nos Estados Unidos, país em que a companhia pediu reconhecimento do processo de recuperação judicial, conforme apurou o Valor.

Além disso, sindicatos propuseram hoje, em reunião com Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, encontro entre representante da Americanas, e o ministério, segundo informações veiculadas pelo Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro.

De acordo com o sindicato fluminense, o objetivo da reunião seria que a empresa prestasse esclarecimentos ao Ministério do Trabalho sobre quais estratégias está adotando para preservação dos 44 mil empregos ligados à marca em todo o Brasil.