Moura Dubeux (MDNE3) prevê alta de 50% nos lançamentos em 2024, mesmo com juro alto

Maior construtora do Nordeste do país prevê fazer R$ 1,5 bi em valor geral de vendas (VGV) neste ano

O mercado imobiliário do Nordeste segue forte em 2024, mesmo com o cenário de juros mais altos no país, segundo a Moura Dubeux (MDNE3), maior construtora da região.

Especializada em imóveis de alto padrão, a companhia obteve cerca de R$ 1 bilhão em lançamentos no negócio de condomínio.

“Para este ano a expectativa é de que esse número chegue a R$ 1,5 bilhão”, afirmou o diretor de relações com investidores da construtora pernambucana, Diogo Barral, à Inteligência Financeira.

Segundo ele, os projetos de condomínio fechado, especialidade da Moura Dubeux, têm baixa exposição de caixa e margens mais elevadas, por isso têm sido mais resilientes num ambiente de juros altos.

Listada na B3 no ano 2000, a Moura Dubeux tem operações em sete Estados (Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe).

Mais recentemente, a companhia tem se concentrado nos litorais dos estados do Ceará, Alagoas e Paraíba com imóveis para a chamada segunda residência.

É um movimento que deve se repetir nos lançamentos previstos para a segunda metade de 2024, prevê a companhia.

Otimismo num mercado nublado

As declarações do executivo ilustram o descasamento entre o ritmo forte de alguns nichos da construção civil, enquanto o setor mais amplo teme uma desaceleração forçada devido a uma escassez de recursos de financiamento.

Segundo dados da Abecip, nos primeiros quatro meses de 2024 o volume financiado foi de R$ 48,7 bilhões, queda de 5,1% ante igual período de 2023.

Entre as explicações para esse cenário estão os saques na caderneta de poupança, as restrições para emissão de LCI e as possíveis mudanças no FGTS.

No conjunto, essas três fontes representaram oito de cada dez reais dos empréstimos para compra da casa própria no Brasil no ano passado.

Além disso, a previsão atual do mercado é de que a Selic feche 2024 ao redor do patamar atual, de 10,5%.

A previsão anterior era de de queda para cerca de 9% anuais. Com o crédito mais caro, o financiamento fica acessível a uma base menor de interessados.

Contudo, o setor de alto padrão no qual a Moura Dubeux opera tem menor dependência do quadro macroeconômico.

Por isso, disse Barral, a companhia deve conseguir elevar os indicadores de lucratividade e mantendo o caixa e a estrutura de capital compatíveis com o tamanho da operação.

Diogo Barral é diretor de relações com investidores da Moura Dubeux. Foto: Divulgação

Sem problemas de mão de obra na Moura Dubeux (MDNE3)

A companhia vem conseguindo contornar outra preocupação que os empresários da construção civil têm vivido, a escassez de mão de obra.

Segundo Barral, a posição geográfica ajuda, porque o nível de desemprego é mais elevado na região.

Além disso, acrescentou, há uma escassez de investimentos de governos em obras de infraestrutura.

De todo modo, a construtora vem dedicando mais esforços para formação de profissionais.

Assim, enquanto no ano passado formou cerca de 150 pessoas, a Moura planeja elevar esse número para 400 em 2024.

Otimismo de analistas, mesmo com queda recente das ações

Acompanhando a tendência mais negativa do mercado nos últimos meses, Moura Dubeux (MDNE3) acumula desvalorização de 17% em 2024 até 7 de junho.

Apesar disso, o papel ainda tem alta de 26% nos últimos 12 meses.

Em relatório recente, o Santander Corporate afirmou que a forte posição competitiva da empresa no Nordeste e sua posição robusta de caixa sustentam uma perspectiva positiva para as ações.

Além do Santander, Itaú BBA, XP, banco Inter e Bradesco BBI seguem com recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de R$ 16 em média, para o fim do ano.

Isso significa potencial de valorização de cerca de 45% em relação ao preço de fechamento do papel em 7 de junho, de R$ 11.