BDR (Brazilian Depositary Receipt)

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BDR (Brazilian Depositary Receipt)

BDR (ou recibos depositários brasileiros) representa valores mobiliários emitidos no exterior e negociados indiretamente no Brasil por meio de um certificado.

Com este recibo, o investidor tem acesso a ações da Apple e a ETFs estrangeiros pela B3, sem ter que abrir conta em corretora de outro país. Ele é negociado em reais da mesma maneira que as ações, via corretoras de valores, e está sujeito à mesma cobrança de Imposto de Renda: 15% sobre o lucro, ou 20% em caso de operações de day trade.  

Além da oscilação dos ativos em seu mercado de origem, o BDR também reflete a flutuação do câmbio, já que ele deriva de ativos dolarizados e é comercializado em reais. Ou seja, se o dólar subir, o BDR tende a se valorizar.   

Por ter estas duas variáveis, o investidor deve estar atento, porque elas também são dois fatores de risco. 

Antes da existência do BDR, o brasileiro tinha que enviar dinheiro ao exterior, abrir uma conta em corretora estrangeira, comprar dólares e arcar com os custos do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). 

Agora, com estes recibos, os principais ativos americanos estão disponíveis na B3. Só para você ter uma ideia, em agosto de 2021, mais de 800 BDRs estavam listados, em um mercado que movimenta R$ 45 bilhões. 

Como tudo começou 

O BDR é a versão brasileira do ADR (recibos depositários de ações não americanas, negociados nos Estados Unidos), que funciona de forma semelhante. Os ADRs surgiram em Wall Street nos anos 1920 para facilitar a compra de ações no exterior. A primeira ADR foi da Selfridges, uma rede de lojas de departamento inglesa, em 1927. 

No Brasil, os BDRs começaram a ser regulados pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) em 2000, mas até 2020 os papéis eram restritos a investidores com mais de R$ 1 milhão investido ou formação profissional. 

Os BDRs mais negociados  

Os BDRs mais negociados na B3 são, nesta ordem: Tesla, Mercado Livre, Apple, Amazon, Microsoft, Alibaba, Facebook, Alphabet, Moderna e Walt Disney.  

É possível consultar todos os BDRs disponíveis na B3 por este link: http://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/negociacao/renda-variavel/brazilian-depositary-receipts-bdrs-nao-patrocinados-nivel-i.htm 

O que é o BDRX  

BDRX é um índice elaborado pela B3 que acompanha uma carteira teórica de ativos, de modo a ser o indicador do desempenho médio das cotações dos BDRs. Fazem parte do índice cerca de 120 BDRs, como Johnson & Johnson, Tesla, Apple, Walmart e 3M.  

Em 2021, o índice chegou a sua máxima histórica, acompanhando as cotações recordes de diversas ações americanas.

Conheça a diferença entre o BDR patrocinado e o não-patrocinado  

Existem dois tipos de BDR: o patrocinado e o não-patrocinado. No primeiro, a companhia emissora do ativo está envolvida na criação do BDR, patrocinando-o. No segundo, a emissora não participa do processo, que é encabeçado por instituições depositárias.  

Os BDRs patrocinados dão mais direitos aos compradores destes recibos. Além de dividendos e juros sobre capital próprio, eles podem dar direito a voto em assembleias, algo que os BDRs não-patrocinados não oferecem.

BDR nível I, II e III  

Os BDRs também são classificados por nível. Os não-patrocinados tem apenas o nível I, que significa que o valor mobiliário correspondente não precisa de registro na CVM.  

Já os patrocinados vão do I ao III. Diferente do nível I, nos níveis nível II e III as empresas emissoras do ativo devem ser registradas na CVM, seguindo as mesmas regras de governança das SAs brasileiras registradas na categoria A, que têm em um regime completo de divulgação de informações.  

A diferença do nível II para o III está na oferta ao público. BDRs de nível II podem ser distribuídos apenas por ofertas com esforços restritos, que é limitada a investidores profissionais, ou seja, quem tem pelo menos R$ 10 milhões investidos.  

Já os BDRs de nível III não têm restrições e podem ser distribuídos em oferta pública ampla. 

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